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Meio ambiente diferencia planos dos candidatos ao executivo de Rondônia

((o))eco analisou dois planos de governo dos candidatos que lideram as pesquisas em um dos campeões de derrubadas

Fabio Pontes ·
19 de agosto de 2022

O senador Marcos Rogério, que ficou famoso em rede nacional pela defesa intransigente do presidente Jair Bolsonaro (PL) durante as sessões da CPI da Covid, é um dos candidatos ao governo de Rondônia. 

Nos primeiros dias de campanha, Marcos Rogério surpreende por um discurso, aparentemente, um pouco distanciado do radicalismo bolsonarista anti-ambiental. Pelo menos é o que se pode concluir a partir da leitura de seu plano de governo.

Logo na primeira página, o documento diz que Rondônia “não pode ficar com a fama injusta de ser um estado que desmata”. “Rondônia possui algumas das maiores reservas ambientais do mundo, com mais de 60 áreas preservação.”  

De fato, o estado possui uma grande quantidade de unidades de conservação (estaduais e federais) e de terras indígenas. Porém, nem mesmo a força da lei as protegem de serem alvos constantes de invasões por madeireiros e grileiros. Muitas dessas, por sinal, são fomentadas até mesmo por lideranças políticas locais, embasados no discurso da necessidade de se fazer o assentamento de famílias não beneficiadas por programas de reforma agrária. Na visão deles, a manutenção destas terras como reservas ambientais “travam” o progresso rondoniense. 

É essa elevada influência do agronegócio na economia e na política local que faz de Rondônia um dos redutos mais fortes do bolsonarismo na região Norte.  

Na Amazônia, realizar campanhas eleitorais com agendas voltadas para a preservação da Floresta Amazônica e o combate a crimes ambientais muitas das vezes resulta em menos votos nas urnas.

Concorrente oposto

Um exemplo do discurso hegemônico na região são as declarações do atual governador bolsonarista, Coronel Marcos Rocha (União Brasil), que buscará a renovação do mandato. 

“Rondônia é o Estado da agricultura e do agronegócio”, lê-se no plano apresentado por Rocha, que exatamente em seu primeiro mandato elevou a “fama injusta de ser um estado que desmata”.  

Na prática, a realidade é outra. Conforme os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Rondônia é o terceiro estado com a maior taxa de incremento do desmatamento dentro da Amazônia Legal, atrás do Mato Grosso e Pará.

Desde 2008 já foram mais de 14,1 mil km2 de floresta derrubada. Entre 2019 e 2021 o estado apresentou aumento da área destruída: 4,5 mil km2 no período. O ano passado foi o pior desde 2008. 

A devastação se dá também dentro das áreas protegidas como a Terra Indígena Karipuna e a Uru-Eu-Wau-Wau. A política de gestão ambiental do governo Marcos Rocha está alinhada com a de Jair Bolsonaro. Desde a campanha eleitoral o discurso era de não atrapalhar a vida de quem é do campo e quer produzir. 

A assessoria do governo Marcos Rocha tem sido procurada para comentar o assunto, mas as respostas não são enviadas. Ao que parece, caso seja reeleito, o meio ambiente continuará fora das prioridades do governador. O tema ficou em último lugar entre os oito tópicos de seu plano de governo. 

Enquanto isso, na contra mão de seu adversário direto, Marcos Rogério, promete adotar uma economia verde. “Transformaremos nossas florestas num poderoso ativo econômico”. 

Mas, ao mesmo tempo que mostra boas intenções para a preservação da Amazônia, o senador bolsonarista defende um programa de regularização fundiária que passa pela autodeclaração. A medida é uma das mais criticadas por especialistas, pois seria uma forma de legalizar áreas griladas, resultado de invasões.   

  • Fabio Pontes

    Fabio Pontes é jornalista com atuação na Amazônia, especializado nas coberturas das questões que envolvem o bioma desde 2010.

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