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Reavaliação global mostra aumento de 40% na população de tigres

Pesquisadores alertam, entretanto, que aumento pode ser apenas consequência de uma amostragem mais completa para fazer a estimativa populacional da espécie, que segue Em Perigo

Duda Menegassi ·
26 de julho de 2022

Uma reavaliação conduzida pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN) aponta que a população de tigres (Panthera tigris) cresceu 40% em relação ao último levantamento, feito em 2015. De acordo com a atualização, existem hoje entre 3.726 e 5.578 tigres na natureza pelo mundo, sem contar com filhotes. Os pesquisadores associam o aumento expressivo às melhorias no monitoramento e na maior abrangência da pesquisa, mais do que a uma efetiva recuperação. Ainda assim, o dado indica que a população mundial de tigres está estável ou em crescimento. A boa notícia, entretanto, não é suficiente para retirar a espécie da Lista Vermelha da IUCN, onde segue classificada como Em Perigo de extinção.

Os pesquisadores responsáveis pelo levantamento afirmam que a atual estimativa populacional “define a primeira linha de base realista para futuras reavaliações da Lista Vermelha e outras avaliações” da espécie e alertam sobre a comparação com os números antigos, devido à falta de rigor científico e amostragem pobre na área de cobertura das estimativas anteriores. Em 2010, por exemplo, a estimativa era de 2.154 indivíduos maduros, base de dados reutilizada em 2015. “É muito provavelmente uma subestimação do número de indivíduos maduros porque muitas áreas protegidas não foram incluídas na análise”, esclarecem os pesquisadores da IUCN.

“Nossa estimativa não pode de forma alguma ser interpretada como um aumento em relação às avaliações anteriores da Lista Vermelha. Mas sim como uma contagem completa usando metodologias mais confiáveis”, reforçam. Além disso, eles destacam que embora o número de tigres tenha aumentado em alguns locais, como na Índia e no Nepal, eles também diminuíram em áreas-chave, especialmente no sudeste da Ásia continental, como no Laos, onde são considerados extintos, e na Malásia, onde estão em forte declínio.

Os tigres são nativos do continente asiático, onde hoje sua distribuição está reduzida a menos de 7% da sua área original de vida. As principais ameaças aos tigres são a caça – direta e indireta, ou seja, dos próprios felinos assim como de suas presas – e a fragmentação e destruição do habitat pelo aumento de pressões da agricultura e ocupação humana.

A própria IUCN coordena um esforço para proteger o habitat do tigre, através do Integrated Tiger Habitat Conservation Programme (Programa Integrado de Conservação do Habitat do Tigre da IUCN, em tradução livre), iniciado em 2014, que atua em 12 áreas prioritárias para os grandes felinos.

O diretor da Comissão de Sobrevivência das Espécies (Chair of the Species Survival Commission) da IUCN, Jon Paul Rodríguez, explica que a recuperação da população de tigres “nos mostra que resolver desafios de conservação complexos é possível e está ao nosso alcance. Apesar dos tigres ainda estarem Em Perigo, suas populações aparentam estar estáveis ou aumentando. Nós precisamos aprender com esses sucessos de conservação, compartilhá-los com o público e aumentarmos nosso investimento em ações de conservação baseadas em evidências”.

Borboleta monarca ameaçada

Já a borboleta-monarca migratória (Danaus plexippus plexippus) entrou na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, classificada como Em Perigo. A borboleta é uma subespécie da borboleta monarca, conhecida por sua jornada anual de até 4 mil quilômetros pela América do Norte. A população das monarcas migratórias encolheu entre 22% e 72% na última década. Entre os principais fatores estão a destruição de habitat, o uso de pesticidas e os impactos das mudanças climáticas, que diminui a oferta das plantas das quais a borboleta se alimenta e aumenta a frequência de incêndios de grande proporção.

A borboleta monarca migratória (Danaus plexippus plexippus) entrou na Lista Vermelha da IUCN. Foto: Joe Schelling

“A atualização da Lista Vermelha destaca a fragilidade das maravilhas da natureza, como o espetáculo único de borboletas monarcas migrando por milhares de quilômetros”, afirma Bruno Oberle, diretor-geral da IUCN. “Para preservar a rica diversidade da natureza, precisamos de áreas protegidas conservadas, eficazes e bem governadas, juntamente com ações incisivas para combater as mudanças climáticas e restaurar os ecossistemas. Por sua vez, a conservação da biodiversidade apoia as comunidades, fornecendo serviços essenciais, como alimentos, água e empregos sustentáveis”, completa.

A Lista Vermelha da IUCN inclui agora 147.517 espécies, sendo 41.459 delas sob algum risco de extinção.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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