Reportagens

Cai desmatamento na Amazônia

Apesar das queimadas, dados do Inpe mostram queda de 47% em relação a 2009 na Amazônia Legal.

Nathália Clark ·
8 de outubro de 2010 · 16 anos atrás

 

Pontos amarelos mostram os locais com alerta de desmatamento (fonte: INPE)
Pontos amarelos mostram os locais com alerta de desmatamento (fonte: INPE)

De acordo com o sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), apesar do longo período de estiagem e das frequentes queimadas que resultaram em 28 mil focos de calor em todo o país no mês de agosto, o desmatamento na Amazônia permaneceu em queda. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os dados do desmatamento na Amazônia Legal, no período de janeiro a agosto de 2010, demonstram que houve uma redução de 47% do desmatamento em relação ao ano passado, com perda de 265 km2 de floresta contra 498 km2 de área desmatada em 2009.

Dentre os estados com maior índice de desmate na região, o Pará figura em primeiro lugar, com 134 km2 de área retirada. O Mato Grosso vem em seguida, com 54,9 km2, e logo depois o Amazonas, com 26,4 km2 a menos de mata no período.

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A divisão do desmatamento de agosto por estados (fonte INPE)
A divisão do desmatamento de agosto por estados (fonte INPE)

De janeiro a agosto deste ano, os números do Inpe apontam redução do desmatamento em quase todos os estados da Amazônia Legal, menos no Amazonas. Segundo os dados, os municípios que mais desmatam, em ordem decrescente, são: Apuí, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Canutama, Boca do Acre, Maués, Autazes, Careiro, Humaitá e Pauini; todos no estado do Amazonas.

Na avaliação dos dois anos, o mês de julho foi o período em que se constatou maior taxa de desmatamento, chegando a 46,8% em 2010, diferença de 0,1 a menos em relação ao mesmo período de 2009.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os números confirmam a tendência de queda do desmate na região nos últimos meses.

Em operação desde 2004, o Deter é um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento, mas é possível detectar apenas polígonos com área maior que 25 hectares. Neste último estudo, foram detectados 183 polígonos.

No entanto, para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o Inpe utiliza o Prodes, que trabalha com imagens de melhor resolução espacial capazes de mostrar também os pequenos desmatamentos. Em novembro, o Prodes apresentará a sua estimativa para o período. (Nathalia Clarke)

  • Nathália Clark

    Nathalia Clark é jornalista na área de meio ambiente, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, justiça social e direitos humanos. →

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