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2010 foi o ano que bateu recorde de focos de calor – 158.244 – na Amazônia boliviana, o que obrigou o governo da Bolívia a pedir ajuda ao Brasil para controlar os incêndios na região. É que o fogo correu solto na Bolívia. Houve um incremento de 400% nos focos de calor do ano 2009 a 2010, o que afetou não só a floresta, mas também a biodiversidade, os habitantes da selva e de grandes cidades como Santa Cruz. Para Juan Fernando Reyes, da ONG Herencia, “os focos são originados pela prática de corte-e-queima e por pecuaristas”.
Desde 2007, 300 mil hectares se perderam por ano, e mais de 6 milhões de hectares foram desmatados e perdidos nos últimos 30 anos, tudo pelo desmatamento, queimadas e a expansão da fronteira agrícola do país.
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Temporada de fogo na Amazônia boliviana
Diante desta situação, o Ministério de Meio Ambiente e Água (MMAeA) da Bolívia, com apoio do Brasil e da Itália, lançou em janeiro deste ano o Programa Amazônia sem Fogo (PASF) em terras bolivianas. O programa, que existe no Brasil desde 1999, será executado no país vizinho em 39 municípios com o objetivo de “reduzir a incidência de incêndios florestais na região amazônica através da implementação de práticas alternativas que protejam o meio ambiente e melhorem as condições de vida das comunidades rurais”, afirma Ligia Castro, diretora de meio ambiente da Cooperação Andina de Fomento (CAF), uma das financiadoras do programa.
Iniciativa multilateral
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O programa na Bolívia deve ter duração estimada de 36 meses e custar 3 milhões de dólares, financiamento que será dividido entre os governos italiano, brasileiro, boliviano e a Cooperação Andina de Fomento. Segundo Luigi de Chiara, embaixador de Itália na Bolívia, a iniciativa “integra ações de emergência e desenvolvimento através de atividades de capacitação e divulgação”.
Para o embaixador italiano, este deve ser “um modelo de preservação da floresta em todos os países amazônicos” – e uma chance de a Bolívia reduzir suas emissões de gases estufa, que equivalem a 0,3% do total mundial, mas que em sua maioria decorrem do desmatamento. “É a melhor resposta que podemos dar a uma agenda global de redução de emissões”, afirma Marcel Biato, embaixador do Brasil na Bolívia.

Oscar Justiniano, responsável pelo Programa de Prevenção e Controle de Incêndios Florestais do Governo do Departamento de Santa Cruz, faz coro a esta afirmação e conta que até agora não foi contatado pelo projeto, apesar da experiência de Santa Cruz em lidar com o tema por meio de diferentes iniciativas desde 2004. “Unificar critérios e propor uma só alternativa contra o fogo é a melhor forma de trabalhar. Separados não conseguiremos os resultados esperados”, afirma.
*Atualizado às 16h59 de 16 de março de 2012
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