Reportagens

Seu Luis Tobar: Graças a Deus, sempre tem água

Seu Luis Tobar conta a história de sua vida em Papallacta, lugar onde sempre tem agua.

Gabriela Arévalo · Martín Bustamante ·
16 de outubro de 2012 · 9 anos atrás
Seu Luis mora há muitos anos em Papallacta, chegou para trabalhar mas ficou para sempre. Crédito: Rubén Ramírez, Finding Species
Seu Luis mora há muitos anos em Papallacta, chegou para trabalhar mas ficou para sempre. Crédito: Rubén Ramírez, Finding Species
As manhãs em Papallacta são pouco agitadas, seus 920 habitantes começam sua rotina bem cedo, acompanhados pelo frio e rodeados de montanhas andinas. As crianças caminham sem pressa nem perigo até a escola. 11,2% dos adultos se dirigem até seus trabalhos em empresas públicas existentes no lugar desde os anos 70, quando seu Luis Tobar chegou neste lugar, “onde água sempre tem”.

Vestido de macacão azul, seu Luis começa seus dias nas Termas Santa Catalina, onde trabalha como operador faz quatro anos. Ele lembra com claridade o trabalho de todos os habitantes para trazer as águas termais às piscinas do complexo. “A água quente para Papallacta é uma grande benção”. Atualmente estas piscinas são administradas pelo conselho paroquial e são a principal fonte de renda da comunidade.

Seu Luis nasceu em San Gabriel, província Carchi, “a cidade que ostenta com orgulho a nobreza do trabalho”. Ele chegou a Papallacta em 1970, quando a construção do Sistema de Oleduto Transequatoriano passava por lá. Foi mecânico de máquinas e equipamentos pesados usados para instalar o tubo e construir a estrada. “Fiquei morando aqui porque o lugar é tranquilo e tem um entorno natural muito bom”. Em 1998, quando começou o projeto do Sistema Papallacta da Empresa de Água Potável de Quito, seu Luis trabalhou como técnico para a empreiteira TECHINT, e ele confessa que foi um trabalho duro e às vezes injusto “porque não pagavam preços justos pelo trabalho nem pela terra desapropriada”.

Com tristeza ela conta a realidade da água em Papallacpa. Apesar de passarem por ali tubos de vital importância para o país (água para Quito e dois oleodutos), “não existe esgoto para ajudar a evacuar as águas servidas de maneira sanitária”. Além disso, seu Luis sente que em sua comunidade faltam serviços básicos que ajudariam a melhorar a qualidade de vida da população. Embora as coisas hoje sejam melhores que há vinte anos, seu Luis reclama que “ainda falta, para poder dizer que temos tudo o necessário para viver”.

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