Reportagens

Nada mais prático do que uma boa teoria

Fernando Fernandez, Claudio Padua e Ernesto Castro debatem a interação entre produção acadêmica e administração de uma unidade de conservação.

Fernando Fernandez · Marcio Isensee e Sá ·
27 de setembro de 2015 · 6 anos atrás
Da esq. para direita: Fernando Fernandez, Ernesto Viveiros de Castro, Claudio Valladares Padua.
Da esq. para direita: Fernando Fernandez, Ernesto Viveiros de Castro, Claudio Valladares Padua.

Fernando Fernandez, biólogo e professor da UFRJ, entrevista outros dois especialistas em biologia da conservação: Claudio Valladares Padua, vice-presidente do IPÊ, e Ernesto Viveiros de Castro, chefe do Parque Nacional da Tijuca. A conversa abriu com uma troca de ideias sobre o papel da ciência versus as aplicações em conservação. Padua conta que há 20 anos vive essa questão e que deixou a academia, em parte, porque se sentia frustrado em não ver os conhecimentos disponíveis aplicados. No entanto, reconhece que não é possível para uma pessoa só tocar um programa de conservação sem prejudicar o tempo, esforço e publicações necessários para ser bem-sucedido no mundo acadêmico. “É nesse balanço entre a pesquisa científica e ação, os dois operando juntos, é que a gente tem mais chance de ter sucesso”, diz.

“Do ponto de vista das Unidades de Conservação”, continuou Castro, “esta é uma via de mão dupla, embora historicamente haja um distanciamento grande”. Castro diz que é comum gestores de áreas protegidas olharem com desdém ou desconfiança o trabalho dos pesquisadores, enquanto, por sua vez, os pesquisadores alienados dos desafios enfrentados no dia a dia da administração das áreas protegidas. Entretanto, aponta Castro, os dois lados têm um ponto em comum, o medo tanto de gestores quanto acadêmicos de manejar as unidades de conservação. “A gente vê as unidades se perderem por espécies invasoras, mudanças climáticas, crescimento urbano e outros desafios, e fica-se discutindo minúcias metodológicas. A gente tem que experimentar, isso é ciência também”.

Confira esse ótimo debate no vídeo abaixo.

 

 

Veja também
Henrique Horn: “Ampliação da Esec de Taim é consenso”
João Lara Mesquita: “Vejo a gente detonar e maltratar a costa”
Maria Teresa Jorge Pádua: “É possível fazer plano de manejo em um mês”

 

 

 

  • Fernando Fernandez

    Biólogo, PhD em Ecologia pela Durham University (UK). Professor do Departamento de Ecologia da UFRJ, trabalha com Biologia da Conservação.

Leia também

Reportagens
23 de setembro de 2015

Maria Tereza Jorge Pádua: “É possível fazer plano de manejo em um mês”

Ela conta o processo que levou a lei do SNUC, mas critica a burocracia que dificulta a gestão e criou excesso de categorias de áreas protegidas.

Reportagens
23 de setembro de 2015

João Lara Mesquita: “Vejo a gente detonar e maltratar a costa”

O velejador e jornalista conta como a costa entre Rio e São Paulo passou de quase virgem a maltratada. E fala do que viu ao produzir a série “Mar sem fim”.

Reportagens
24 de setembro de 2015

Henrique Horn: “Ampliação da Esec de Taim é consenso”

Em entrevista, chefe da estação ecológica conta sobre o processo de ampliação da área e diz que hoje está mais fácil criar UCs marinhas no país.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta