Texto produzido pelos ecomunicadores da Rede ParaTudo – Grupo Bodoquena e Bonito/MS

Bodoquena carrega o mesmo nome da Serra em que se localiza. É uma cidade pacata por onde ainda é possível tomar café de graça nas padarias em troca de boa prosa. E lá, assim como em Bonito, município vizinho famoso pelo ecoturismo, também existem rios cristalinos, cavernas secas ou molhadas e matas nativas.
Em cidades pequenas assim, quem tem sonhos de metrópole acaba invariavelmente partindo. No entanto, não menos especiais são aqueles que escolhem ficar, valorizar as belezas locais, e que também deixam a sua marca. Edivaldo Souza é um rapaz bodoquense, criado no mato, que não se sente à vontade em aglomerações. Ele trabalha como atendente de farmácia, lida com o público e desafia diariamente a sua timidez. Tímido, mas irrequieto. Movido pela curiosidade, pela paixão e preocupação com os entornos de Bodoquena, não sossegou até se tornar um educador ambiental. De fala acanhada, mas de olhar apurado, Edivaldo logo se descobriu um ótimo observador. Comprou uma câmera, fez curso, conversou pela internet com pessoas interessadas em fotografia e começou suas saídas matinais diárias para fazer registros de animais que nos encantam.
Para conversar com a natureza é necessário paciência, silêncio e disciplina. É incrível o que um Surucuá desconfiado exige para que Edivaldo consiga registrá-lo com sua máquina fotográfica assim, de peito aberto, em uma clareira do Cerrado. São horas agachado no meio da mata na companhia de mosquitos e carrapatos, e as consequentes picadas e vermelhões.
É pela fotografia que Edivaldo se comunica, se expressa e através da qual ele ocupa o lugar em que vive. Com o seu olhar, faz arte. Ela chama o que faz de “eco comunicação visual”, que combina criatividade, resiliência e paciência. A natureza exige qualidades do seu observador e Edivaldo é adaptável como um opilião de caverna (e como há cavernas nessa tal de Bodoquena!), animal capaz de sobreviver em ambientes escuros e hostis.
São muitos os personagens da Bodoquena captados pelas lentes de Edivaldo, com a sensibilidade de quem sabe a história por trás de cada bicho. Os canarinhos da terra cantam melodias capazes de resgatar as lembranças de quem passou a infância no mato. As magníficas antas assobiam ao longe preenchendo a mata por todos os lados – dizem até que parece o assobio da caipora, que vem de lugar nenhum e de todos os lados. Ou os peculiares urutaus que se esgueiram nas árvores, se fantasiam de toco seco e ecoam seu choro mata adentro – por um tempo os chamaram de espíritos da floresta, dado que eram praticamente invisíveis. E também os lagartos que espreitam com paciência infinita seu alimento e o capturam com a destreza de um bailarino.
Edivaldo captura tudo isso de maneira poética, suave, apaixonada. Cada evento é único, extraordinário e efêmero. Segundo ele, a “natureza é acontecência”. Assim são as fotografias de Edivaldo, o verbo em ação, a eternização do movimento e a voz da própria natureza. Portanto, nada melhor para falar por ele do que suas próprias fotografias.
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