Como será uma candidatura à presidência no pós-Copenhague? Quem bate-bola com mais habilidade sobre o assunto levará vantagem no Brasil do PAC e do desenvolvimento que patrola florestas tropicais? Com Dilma Roussef liberando gafes e absurdos como “o meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável” em plena conferência climática, que passará pela cabecinha de Lula?
Parece que seu PT fez uma escolha política errada ao não pesar a conscientização global e movimentos pró-ambiente. Até agora a maior estrela brasileira na constelação climática da conferência é a ex-ministra Marina Silva (agora no PV), que ontem participou da premiação de O Eco no Earth Journalism Awards.
Carlos Minc e companhia são coadjuvantes: discursos descolados da realidade têm cada vez menos espaço no planeta, na mídia. Por isso o momento merece reflexão profunda sobre as metas nacionais de cortes de emissões e os planos desenvolvimentistas para a Amazônia e seus efeitos colaterais em outros biomas. Para a floresta estão previstas centenas de obras de infraestrutura – barragens, gasodutos, estradas, hidrovias, mineração etc -, atividades que no Brasil do descontrole oficial ainda são geradoras de desmatamento, migrações, violência e concentração de renda.
Sem falar nas tentativas redivivas de ruralistas para ampliar as possibilidades de desmatamento no país via mudanças no Código Florestal, nas leis estaduais que rebaixam a proteção das matas, e ainda que a “proteção” da Amazônia empurra a fronteira agropecuária para o seio do Cerrado e outras regiões, elevando as emissões de gases estufa por tabela.
Já passou da hora de desfazer a cortina de fumaça entre o falatório oficialesco e a realidade em campo. A verdade está lá fora.
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