
O Kazaquistão, por exemplo, diz não ter comercializado nenhum anfíbio naqueles anos, enquanto a Tailândia informa ter importado mais de 2.500 sapos do país, via Líbano, que não faz parte da Cites. Ou seja, os pesquisadores podem ter encontrado um meio usado por países importadores e exportadores driblarem o necessário controle internacional sobre o comércio de espécies ameaçadas.
Ao todo, a análise encontrou mais de 63 mil sapos de 32 espécies comercializados no período. Cerca de um quinto encontrou destino em mercados asiáticos, como Japão, Tailândia e Taiwan. Cinco espécies estão na lista de animais globalmente ameaçados da União Internacional para Conservação da Natureza.
Muitos dessas anfíbios têm pele colorida como alerta a predadores (na natureza, cores fortes normalmente indicam venenos poderosos) e têm sido comprados como bichos de estimação na Europa, América do Norte e Ásia. A secreção da pele de algumas espécies é usada por indígenas em caçadas com dardos e flechas envenenadas. “A popularização de sapos venenosos como animais de estimação está colocando algumas espécies em risco ainda maior, com captura excessiva na natureza”, comentou Nijman.
Frente ao problema, os autores do estudo recomendam atenção redobrada por parte da Cites sobre o comércio internacional de espécies ameaçadas.
Leia também
STF derruba Marco Temporal, mas abre nova disputa sobre o futuro das Terras Indígenas
Análise mostra que, apesar da maioria contra a tese, votos introduzem condicionantes que preocupam povos indígenas e especialistas →
Setor madeireiro do Amazonas cresce à sombra do desmatamento ilegal
Falhas na fiscalização, ausência de governança e brechas abrem caminho para que madeira de desmate entre na cadeia de produção →
Um novo sapinho aquece debates para criação de parque nacional
Nomeado com referência ao presidente Lula, o anfíbio é a 45ª espécie de um gênero exclusivo da Mata Atlântica brasileira →




