Salada Verde

Nas mãos dos negociadores de Cancun

Estudo da ONU afirma que, mesmo as promessas de Copenhague,emissões excederão o limite em 2020.

Redação ((o))eco ·
23 de novembro de 2010 · 16 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

De acordo com os cientistas, para que o planeta mantenha o acréscimo em sua temperatura média abaixo de dois graus centígrados (número considerado máximo para que os efeitos das mudanças climáticas não sejam devastadores), é necessário que as emissões de carbono equivalente girem em torno de 44 gigatoneladas em 2020. Isto não será possível. A notícia, no entanto, não é de todo ruim. Caso as metas estabelecidas durante a 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP15), realizada em dezembro passado em Copenhague, sejam plenamente cumpridas, o lançamento de gases de efeito estufa no fim da próxima década podem chegar a 49 gigatoneladas, cerca de 60% do necessário.


Este é o resumo do “The Emissions Gap Report: Are the Copenhagen Accord pledges sufficient to limit global warming to 2 or 1.5°C?”, estudo produzido pelo Programa de Meio Ambiente da ONU (UNEP, na sigla em inglês), em parceria com Fundação Climática Européia e Instituto Nacional de Ecologia do México. Ao todo, 30 cientistas de diferentes países assinam o documento, que foi lançado uma semana antes do início da próxima COP sobre o Clima, em Cancun, balneário mexicano.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A lacuna de cinco gigatoneladas de carbono a serem emitidas a mais do que o ideal em 2020 não assusta Achim Stenier, diretor executivo da UNEP. “Os resultados indicam que o encontro da ONU em Copenhague pode se transformar mais em um sucesso do que um fracasso caso todos os compromissos, intenções e financiamentos, incluindo suporte total às promessas das economias em desenvolvimento, forem cumpridos. Existe uma lacuna entre o que a ciência e os níveis atuais de ambição. Mas, o que este relatório mostra é que as opções que temos sobre a mesa nas negociações podem nos levar a um montante de 60% do caminho. Este é um bom primeiro passo”, afirmou.

Por outro lado, caso os países sigam os níveis mais baixos acordados, as emissões de carbono equivalente em 2020 podem ser 20% maiores do que os cientistas consideram razoável. Este é o temor de líder da Iniciativa Climática Global do WWF, Gordon Shepherd. “Este estudo confirma que existe uma lacuna de gigatons alarmante entre as promessas aceitas em Copenhague e os níveis muito mais baixos de emissões necessários para assegurar um futuro seguro para o clima”. A bola é sua, Cancun. (Felipe Lobo)

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
24 de agosto de 2026

Eleições na emergência climática: a escolha de quem não ignora riscos

O voto é uma decisão sobre capacidade de governo. É essencial incorporar uma nova pergunta ao exercício da cidadania: aqueles que pretendem ser eleitos compreendem o tempo histórico em que vivemos?

Externo
24 de agosto de 2026

Vírus letal reduz em 83% população de pererecas em reserva da Mata Atlântica

Estudo apoiado pela FAPESP relata o primeiro caso de morte em massa de anfíbios causada por ranavirose na América do Sul. Patógeno também afeta répteis e peixes

Garimpo fiscalizado em área dentro do Parque Nacional Juruena. Foto: ICMBio / Divulgação
Reportagens
24 de agosto de 2026

Garimpo dispara no Parque Nacional do Juruena e levanta alerta sobre avanço de facções

O desmatamento relacionado à mineração ilegal aumentou 660% no parque em apenas oito meses e relatos apontam possível envolvimento de facções criminosas

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.