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Avaaz lança petição contra Belo Monte

Documento, que já está perto de coletar 350 mil assinaturas, vai ser encaminhado à presidente Dilma pedindo revisão do projeto que deve alagar 640km2 de floresta e deslocar milhares de pessoas.

Redação ((o))eco ·
20 de janeiro de 2011 · 15 anos atrás
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Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Mãe e filha acompanham reunião sobre hidrelétrica de Belo Monte em Altamira (foto: Karina Miotto)
Mãe e filha acompanham reunião sobre hidrelétrica de Belo Monte em Altamira (foto: Karina Miotto)

Esta semana a organização internacional Avaaz, famosa por suas petições contra projetos danosos ao meio ambiente, resolveu entrar na briga contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, Pará. A iniciativa começou com 60 mil assinaturas vindas de uma petição organizada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) em parceria com outras organizações.

Após divulgar para as listas nacionais, os números ultrapassaram os 150 mil e, uma vez difundida internacionalmente, está perto dos 350 mil. A meta, até o momento, é chegar a 500 mil assinaturas, mas pode passar disso. “O fato de que milhares de brasileiros assinaram a petição e não somente estrangeiros demonstra que o povo brasileiro compreende melhor o que esta acontecendo e que o governo não está agindo em nome destas pessoas”, afirma Maíra Irigaray, advogada que atua na AIDA (Associación Interamericana para la Defensa del Ambiente).

“No Brasil é viral, 30% dos assinantes não vêm da lista da Avaaz, mas de pessoas que receberam o alerta de um amigo”, explica Graziela Tanaka, coordenadora de campanhas da Avaaz. A petição será entregue à presidente Dilma Rousseff em um ato simbólico organizado em parceria com o MXVPS. Cidadãos de todo o mundo querem mudar o curso deste rio.

A construção de Belo Monte tem sido bastante controversa. Especialistas afirmam que a usina pode inundar pelo menos 640 km2 de floresta, deslocar cerca de 40 mil pessoas entre população urbana, ribeirinhos e povos indígenas, inundar parte da cidade de Altamira – ainda sem a mínima condição de receber os 200 mil imigrantes previstos -, além de favorecer o aparecimento de mosquitos como o transmissor da malária, gerar metano e atuar satisfatoriamente no desaparecimento de espécies, inclusive as endêmicas.Há ainda dúvidas sobre a eficiência energética da usina, uma vez que durante a maior parte do ano produzirá apenas 40% do total de seu potencial (11 mil megawatts).

Por cerca de uma semana, a reportagem de O Eco esteve presente na região e conversou com alguns dos ribeirinhos que devem ser afetados. Muitos afirmam que têm sido chantageados e coagidos a assinar papeis em branco por, de acordo com eles, representantes da Eletronorte. “Dizem que vamos perder tudo de qualquer jeito e que é melhor assinar para garantir pelo menos alguma compensação pela perda da nossa terra. Ficamos com medo e assinamos. hoje eu me arrependo” afirmou uma das pessoas que podem vir a ser atingidas pela usina e prefere não se identificar.

A pressão social contra a construção de Belo Monte tem aumentado dia a dia. O cacique Raoni, maior líder indígena do país, representando todo o povo Kayapó além de outros mais, já avisou que se preciso for parte para o combate contra a construção de Belo Monte. Organizações nacionais como Instituto Socioambiental e a Amigos da Terra-Amazônia Brasileira e internacionais como Amazon Watch e International Rivers têm constantemente monitorado os desdobramentos deste imbróglio que já dura mais de 30 anos. “O conjunto de esforços traz resultados”, diz Graziela. (Karina Miotto)

Para assinar a petição, clique aqui. 

Veja também entrevista com socióloga Marijane Lisboa sobre o licenciamento de Belo Monte

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