Salada Verde

Sociedade civil se manifesta pelo fim de novas hidrelétricas na Amazônia 

Mais de 270 organizações, especialistas e ambientalistas assinaram um documento pedindo a suspensão de novas hidrelétricas na região amazônica

Júlia Mendes ·
21 de novembro de 2023 · 3 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

“Insistir em mostrar o papel das hidrelétricas como fonte de energia sustentável e limpa significa ignorar o legado histórico de catástrofes ambientais, sociais e econômicas deixado pelas hidrelétricas construídas na Amazônia”. É o que diz o manifesto assinado por mais de 270 organizações da sociedade civil, ambientalistas e especialistas, que clamam por uma moratória, ou seja, a suspensão imediata de novas usinas hidrelétricas (UHE) na Amazônia, até que sejam feitas as revisões dos planos nacionais de energia e dos programas nacionais de mudança do clima e transição energética.

Em apelo a autoridades governamentais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e os governadores dos estados da Amazônia, o documento enfatiza os impactos sociais e ambientais de projetos hidrelétricos anteriores e aponta exemplos específicos de grandes prejuízos na região, desde a construção da UHE Balbina, a primeira grande hidrelétrica na Amazônia, até a UHE Belo Monte, a última construída. 

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Segundo o manifesto, os seis projetos de hidrelétricas na região amazônica levaram mais de 60 mil pessoas a deixarem seus lares ou tiveram sua vida e/ou segurança alimentar ameaçadas.

Além disso, o documento também expõe os impactos destrutivos na região causados pelas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais de Geração Hidrelétrica (CGHs). Segundo a declaração, um conjunto de PCHs em uma mesma bacia pode gerar um impacto quatro vezes maior do que uma UHE devido a quebra da conectividade do fluxo natural dos rios. “Essa perda de conectividade por PCHs deve se agravar em 21% no futuro, caso todos os empreendimentos planejados sejam construídos, o que vai atingir rios ocupados por mais de 120 espécies de peixes migratórios – 14 delas ameaçadas de extinção e 20 delas de alta importância para a pesca comercial e recreativa”, explica o manifesto.

Lado da Usina Hidrelétrica de Balbina. Foto: Wikipédia.

O documento demonstra ainda a necessidade da adoção de práticas sustentáveis na região e que considerem o potencial energético do Brasil para uma transição mais limpa e menos impactante às regiões. 

“Atualmente, com o agravamento da crise climática, que rebate diretamente na grande variação do fluxo hidrológico dos rios e na escassez hídrica, as decisões passadas que levaram o Brasil a quase uma mono-dependência da fonte de energia produzida por hidrelétricas, precisam ser revistas, e incorporar em seu programa de transição da sua matriz energética incentivos e iniciativas voltadas à eficiência energética, repotenciação das hidrelétricas já existentes, ampliação das fontes eólica, solar e biomassa, à adoção da mini e micro geração distribuída de energias renováveis, com prioridade para grupos de baixa renda e comunidades mais isoladas da Amazônia”, finalizam. 

Leia o manifesto na íntegra. 

  • Júlia Mendes

    Estudante de jornalismo da UFRJ, apaixonada pela área ambiental e tudo o que a envolve →

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
7 de abril de 2022

Governo premia construtora de Belo Monte com selo de sustentabilidade; Atingidos rebatem

Selo concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional gera questionamentos sobre falhas de gestão socioambiental da Usina Hidrelétrica de Belo Monte →

Reportagens
14 de novembro de 2023

Seca severa piora situação dos botos na Amazônia, já ameaçados pela caça

Os esforços para conservar a espécie enfrentam dificuldades com a intensa estiagem no bioma. Só em Mamirauá, mais de 159 animais morreram →

Análises
18 de fevereiro de 2021

Barragens transformam Amazônia em zona de sacrifício

Depois que o Brasil construiu barragens no rio Madeira em 2011 e em 2013, a captura de peixes naquela que foi a segunda maior região para a pesca fluvial do mundo despencou no Brasil, Bolívia e Peru →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 2

  1. Alessandro Quadros diz:

    Sem hidrelétricas, sobra o que? As Termoelétricas, que consomem combustível fóssil, poluem e degradam o meio ambiente. Infelizmente vemos mais uma vez as CIAs que defendem o consumo de combustível fóssil e fazem campanha contra as hidrelétricas, comprando a opinião pública com o auxílio de ONGs


  2. Theophilo diz:

    Nunca na minha vida vi tanta idiotice escrita na minha vida, se fizerem todas hidroelétricas da Amazônia, todas vão inundar no máximo 0, 0025% da floresta amazônica, qual o impacto onde IDH é baixíssimo, tem muita tetra de ONGs e de etcccccc, por isto que Brasil não anda…..cambada de ignorante.