Salada Verde

IPEA: mais investimento em petróleo

Levantamento do instituto quantifica investimentos em energia nos próximos dez anos e mostra que óleo e gás consumira maior parte dos recursos.

Redação ((o))eco ·
16 de fevereiro de 2011 · 15 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Brasília – Os investimentos necessários em energia no país para o período de 2010 a 2019 devem alcançar cerca de R$ 214 bilhões em energia elétrica e R$ 672 bilhões em petróleo e gás. Além disso, R$ 66 bilhões serão investidos em energia proveniente de biocombustíveis líquidos.

Os dados foram compilados em publicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada nesta terça-feira (15), em Brasília. O documento revela ainda que os gastos previstos para a energia até 2017 são da ordem de R$ 767 bilhões, enquanto o orçamento ambiental para o mesmo período foi calculado em R$ 83 bilhões, quase nove vezes menor. Para Gesmar Santos, um dos autores do estudo “uma coordenação de gestão dos recursos naturais e energia combinada com a gestão do meio ambiente poderia fazer um equilíbrio destes orçamentos”.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Este é o primeiro documento da série intitulada “Eixos do Desenvolvimento Brasileiro”, dedicada ao meio ambiente. O comunicado n° 77, sobre o tema “Energia e Meio Ambiente”, traz a análise da matriz energética, os percentuais de energia renovável e não renovável, o perfil do consumo energético, além de projeções do consumo e investimentos futuros em energia.

Apresentado pelos técnicos de Planejamento e Pesquisa do instituto, Gesmar Rosa Santos e Antenor Lopes Filho, o estudo demonstrou as diferentes fontes de oferta interna de energia. O petróleo e seus derivados, fontes poluentes de energia, respondem por cerca de 50% da oferta interna no Brasil.

O estudo é dividido em três blocos de análise: diagnóstico de potenciais nacionais, políticas públicas e negociações internacionais. Segundo o assessor técnico da presidência do Ipea, Albino Alvarez, “A posição básica que pauta esse relatório é de que a sustentabilidade ambiental não pode ser vista como um obstáculo para o desenvolvimento. Ela se mostra mais como uma oportunidade do que como uma restrição.”

Setor agropecuário

Segundo o comunicado, o consumo energético no setor agropecuário, entre 2004 e 2030, deverá passar de 7% para 9% da demanda final de energia, sendo que o óleo diesel, a gasolina, o álcool e o querosene respondem por 95,7% desse consumo na agropecuária, devendo assim se manter até 2030, com pequena oscilação.

Tal perfil, de acordo com o estudo, sinaliza que o padrão de emissões também se manterá. Uma alternativa apontada para redução dos gases de efeito estufa é “o consumo de energia proveniente de fontes alternativas e por diferentes formas de transporte, inclusive considerando usos e tecnologias regionais”.

Este balanço tende a ser ainda mais positivo, seguindo o aumento da produção e a possibilidade de que o setor consuma a própria energia gerada – diesel, álcool, palhas e lenha. “Resolver os problemas causados ao meio ambiente, reduzir a externalização dos impactos e enfrentar os conflitos por terra e água são os desafios centrais que podem motivar a integração dos setores governamentais de agricultura e de energia”, diz a pesquisa.

Energia eólica e solar

Antenor Lopes destacou a energia eólica no Brasil como um tipo de geração que tem crescido muito no país. “Há dez anos, a energia eólica era uma coisa fora da realidade, considerada muito cara e pouco eficiente. Porém, nos últimos anos, estamos vendo o surgimento de parques eólicos no Ceará e há projetos no Rio Grande do Sul e Bahia”, disse.

Em relação à energia solar, o técnico diz que seu uso é praticamente desprezível no Brasil, por conta dos altos custos de instalação. Mas ele defende também que, a exemplo da energia eólica, a tendência é que essa tecnologia seja mais utilizada com o passar do tempo. (Nathalia Clark)

Leia a íntegra do Comunicado do Ipea nº 77: Energia e meio ambiente no Brasil

Veja os gráficos da apresentação do Comunicado do Ipea nº 77

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
3 de julho de 2026

Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena

Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais

Salada Verde
3 de julho de 2026

PL que retarda ação de órgãos ambientais por dois anos tem urgência aprovada

Proposta de deputado do PL prevê que órgãos ambientais aguardem dois anos para aplicar medidas como embargos e apreensões em propriedades de até 560 hectares

Salada Verde
3 de julho de 2026

Enchentes do Rio Grande do Sul fundamentam novo conceito para identificar áreas de risco

Chamada de Zona de Arraste, nova classificação nomearia fenômeno onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.