Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal caíram 36% entre agosto de 2025 e julho de 2026, em comparação com os 12 meses anteriores. Trata-se da maior redução da série histórica para o período acumulado, iniciada em 2016, segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O resultado marca o fim do calendário do desmatamento no governo Lula III [2023-2026], que conseguiu reverter a tendência de alta iniciada no governo Temer e intensificada durante todo o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Quem governar o país a partir de janeiro de 2027 ainda herdará cinco meses do fim do ciclo da administração atual.
Segundo o levantamento, foram identificados 2.874,38 km² de áreas sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026, contra 4.495 km² registrados nos 12 meses anteriores.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (7), durante evento na sede do INPE, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, do diretor do INPE, Antonio Miguel Monteiro, dos presidentes do Ibama, Jair Schmitt, e do ICMBio, Mauro Pires, do secretário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), André Lima, e do coordenador do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR), Cláudio Almeida.
“Os números estão indicando que se a gente continuar com o ritmo que a gente está, com a seriedade que a gente está, e colocando o recurso necessário, a gente pode atingir [o desmatamento zero em 2030]”, disse Lula, durante o evento, que acrescentou que a meta não foi “pedida pra gente [Brasil] fazer”, mas que “se Deus qioser, iremos cumprir”.
Em queda
No Cerrado, os alertas de desmatamento também apresentaram redução, embora em ritmo mais moderado do que o observado na Amazônia. Nos últimos 12 meses, foram registrados 5.119,46 km² de vegetação nativa sob alerta de supressão, uma queda de 7,8% contabilizados no período anterior.
Criado para orientar ações de fiscalização e combate aos crimes ambientais, o Deter produz alertas em tempo quase real sobre a supressão da vegetação nativa na Amazônia e Cerrado. Embora não represente a taxa oficial de desmatamento, o sistema é considerado um importante indicador da dinâmica de destruição da floresta.
A redução animou as falas dos participantes do evento. O presidente Lula afirmou que o país apresentará os dados do INPE em toda reunião bilateral com o governo dos EUA. Recentemente, o país foi taxado pelos americanos e um dos argumentos foi o desmatamento na Amazônia.
Segundo o Observatório do Clima, o resultado reforça a chance do Prodes – que mede o desmatamento anual na Amazônia e que normalmente sai em novembro – também ser o menor da história, levando em conta a série iniciada em 1988. Se a projeção se confirmar, o desmatamento ficará abaixo do recorde anterior, registrado em 2012, durante o governo Dilma Rousseff, quando a taxa anual caiu para menos de 5 mil quilômetros quadrados.
“A redução dos índices de desmatamento é o maior legado ambiental do governo Lula, e uma das maiores contribuições dada à agenda de clima nos últimos anos. Porém, o fim da destruição de nossas florestas só será possível com uma grande mudança no Parlamento, além de equacionar contradições dentro do próprio governo”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Teremos a chance de fazer isso daqui a três meses, quando escolheremos o próximo Congresso Nacional”, disse.
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