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Boto-cor-de-rosa é salvo após ficar preso em rede de pesca na Amazônia

Equipe do Instituto Mamirauá desenrolou o animal ameaçado de extinção da rede e soltou no lago Jutaí, no Amazonas. A cena foi registrada em vídeo

Sabrina Rodrigues ·
16 de agosto de 2018 · 3 anos atrás
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Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Botos cor-de-rosa são vítimas frequentes de capturas em redes de pesca na Amazônia. Foto: Everson Tavares/Instituto Mamirauá.

“Subindo” no mesmo lugar em cima de uma malhadeira (tipo de rede de pesca), uma fêmea de boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) foi avistada por pesquisadores do Instituto Mamirauá. Foram quinze minutos que requereram calma e paciência da equipe de resgate, já que o animal aparentava cansaço, dificuldades de respirar e se mexia inquietamente durante todo o salvamento. Uma pesquisadora registrou a cena.

O resgate ocorreu na manhã do dia 4 de agosto. Os pesquisadores finalizavam um trabalho de monitoramento de botos na hora do ocorrido. Ao atravessar o lago Jutaí, no Amazonas, avistaram o boto com um comportamento que chamou a atenção. “Quando chegamos perto vimos que realmente era um boto-vermelho jovem, fêmea, e que estava muito enrolada na malhadeira. Então começamos o processo de organização na voadeira (barco a motor) para tirarmos ela da rede”, informou Daiane da Rosa, pesquisadora do Instituto Mamirauá.

Aparentando cansaço e com dificuldades de respirar, a fêmea de boto cor-de-rosa se mexia inquieta durante o salvamento. Foto: Thayara Carrasco./Instituto Mamirauá.

Como não havia tesouras, facas ou outros objetos cortantes para romper a malhadeira, foi preciso então retirar a rede de pesca do ponto onde estava amarrada. O trabalho foi feito pelos assistentes de pesquisa Joney Carvalho e Alcbides Martins.

O ocorrido foi novidade para a equipe de pesquisadores do Instituto Mamirauá, pois  mesmo tendo conhecimento de que é recorrente o fato de que botos ficam presos em redes de pesca, o grupo nunca tinha presenciado um caso assim.

“Quando terminamos o resgate, a fêmea de boto sumiu e demorou a subir de novo à superfície, chegamos a temer que o animal tivesse afogado, mas depois de um tempo ela voltou a aparecer próximo a um monte de capim flutuante”, relembra Daiane da Rosa.

A captura acidental em redes de pesca é, nesse momento, a maior ameaça para todos os cetáceos no mundo inteiro, sejam eles grandes ou pequenos. No caso dos botos, eles dividem áreas de interesse com pescadores e são capturados nas malhadeiras.

 

Assista ao vídeo

 

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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