
Já dizia o ditado popular, uma andorinha só não faz verão. A frase se aplica tanto à pequena andorinha, quanto à maior ave de rapina do Brasil. E em um registro raro, câmeras de monitoramento flagraram um casal de harpias em seu momento de reprodução. A cena foi documentada pela equipe do Projeto Harpia na Mata Atlântica, em um dos dois ninhos que são monitorados na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, no sul da Bahia, desde 2018. O vídeo, com 20 segundos de duração, pode ser assistido aqui e mostra o momento em que o macho inicia a cópula com a fêmea, ao subir em suas costas.
Apesar de estar distribuída por todo território brasileiro, a harpia é considerada vulnerável à extinção no país. Na Mata Atlântica, sua situação é ainda mais frágil e, na Bahia, a ave é classificada como criticamente em perigo de extinção. Com motivos, portanto, o flagra da reprodução foi comemorado pelos pesquisadores e pela equipe da reserva particular.
“Quando este ninho foi encontrado em 2018 na RPPN Estação Veracel, já havia um filhote em desenvolvimento. Acompanhamos todos os cuidados que os pais tiveram com ele. No ano passado, já jovem, ele foi embora e não retornou mais ao ninho. Os pais aproveitaram para reformar a casa e começaram a namorar. Estamos de olho em tudo e na torcida pelo nascimento de mais um filhotinho nessa importante reserva! Monitorar este e outros ninhos na Mata Atlântica tem nos permitido conhecer o comportamento dessa espécie ameaçada e as exigências para sua sobrevivência nos remanescentes florestais protegidos nesse bioma que foi amplamente devastado”, destaca o pesquisador Aureo Banhos, da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenador do Projeto Harpia – Mata Atlântica.
As harpias são aves monogâmicas e o casal quase sempre usa o mesmo ninho para reprodução, costumeiramente em uma das árvores mais altas da floresta. Geralmente as harpias colocam de um a dois ovos, mas apenas um sobrevive.
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