Salada Verde

Medicina tradicional asiática impulsiona a caça ilegal de onça na Amazônia

Entre 2014 e 2016, foram apreendidos 262 dentes de onças. Autoridades bolivianas suspeitam que a atividade esteja avançando para outros países

Sabrina Rodrigues ·
14 de dezembro de 2016 · 5 anos atrás
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A caça ilegal de onças na Amazônia boliviana está preocupando as autoridades do país vizinho. Caçadores estão abatendo estes animais para traficar suas presas, que são usadas em tratamentos de medicina tradicional asiática ou como amuletos. Na Bolívia, foram apreendidos 262 dentes entre 2014 e 2016, ou seja, ao menos 65 felinos abatidos ilegalmente nesse período. As autoridades bolivianas suspeitam que a atividade esteja avançando para outros países sul-americanos, inclusive o Brasil, embora não haja registro de apreensões até agora. Para o chefe das operações de fiscalização do Ibama, Roberto Cabral, a superstição foi a causadora da eliminação da maior parte da população de tigres do sudeste da Ásia e que agora, os traficantes de animais estão se voltando para felinos de outros países. Cabral não descarta a possibilidade disso estar acontecendo no Brasil. Os casos de apreensões de partes de onças registrados nos últimos cinco anos, no Brasil, estão relacionados à expansão agropecuária, causando a fragmentação do habitat natural desses animais. Como os fazendeiros não querem perder os seus animais para as onças, eles contratam caçadores para abatê-las. Entretanto, no mês de agosto deste ano, ocorreu a maior apreensão de todos os tempos em Curionópolis, cidade próxima da selva amazônica no Pará, relacionado não à pecuária, mas sim, ao tráfico de animais. Um caçador foi encontrado com partes de 16 onças, duas suçuaranas e uma jaguatirica. Recebeu multa de R$ 460 mil por matar, mutilar e armazenar os animais e foi preso por posse ilegal de armas e crimes ambientais. Na Bolívia, as autoridades estão processando os criminosos de caça ilegal com base em uma lei que prevê de um a seis anos de prisão para esse tipo de crime. No Brasil, a legislação prevê penas em torno de seis meses a um ano de prisão, segundo Roberto Cabral. “Por causa da fragilidade da legislação conseguimos identificar os caçadores, mas muitos continuam na ativa”, complementa o chefe de fiscalização do Ibama.

Fonte: Folha de S. Paulo

  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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