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Governo tenta minimizar dados do desmatamento ao comparar erroneamente sistemas do INPE

Ministério do Meio Ambiente compara dados do Deter com o Prodes e diz que há uma tendência de queda em curso. INPE não recomenda comparação entre os sistemas

Daniele Bragança ·
19 de novembro de 2021 · 5 anos atrás

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicou na manhã desta sexta-feira (19) uma nota em que exime o governo federal da culpa pela alta do desmatamento na Amazônia e minimiza o aumento com dados de queda registrados no sistema de alerta do INPE, o Deter, que não serve para medir desmatamento. De 1º de agosto de 2020 e 31 de julho deste ano, 13.235 km² foram desmatados na Amazônia. É a maior taxa registrada desde 2006.

“Os dados de desmatamento do Prodes […], não refletem a atuação do Governo Federal ao longo dos últimos meses. Por outro lado, de acordo com os alertas de desmatamento do Deter/INPE, houve uma reversão do desmatamento acumulado nos períodos de julho a outubro deste ano, com um total de 4.277,32 km². No mesmo período de 2020, o acumulado foi de 4.811,13 km², o que representa uma queda de 11%, resultado de uma ação coordenada do governo federal”, disse o MMA, em nota divulgada esta manhã.

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Além de tentar minimizar o aumento de 21,9% registrado este ano, o documento lista uma série de iniciativas, como o efetivo da Força Nacional com 700 homens na fiscalização, que teria contribuído pela diminuição do desmatamento nos dados do Sistema de Alerta, o Deter, também medido pelo INPE.

“Os números que tiveram alta não refletem a atuação dos últimos meses. Agora vamos expandir a Operação Guardiões do Bioma. Teremos o Guardiões do Bioma Amazônia, com foco total no desmatamento ilegal. O Governo Federal vai atuar de forma contundente contra qualquer crime ambiental. Tenho participado de viagens de operações para combater o crime na Amazônia. E vamos ser mais contundentes, pois os números apresentados pelo Prodes são inaceitáveis”, jura o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

Acontece que os dois Sistemas, o Deter, mensal, e o Prodes, com os dados consolidados sobre as mudanças no uso do solo em toda a Amazônia Legal, não são comparáveis. Cada um opera de um jeito, com objetivos diferentes. O Deter é uma ferramenta usada na fiscalização ambiental, para dizer onde se está desmatando, e o Prodes é o que mede a redução da floresta. A confusão de conceitos do governo fez o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais soltar uma nota técnica.

“Em 2021 [01 de agosto de 2020 a 31 de julho de 2021], o PRODES estimou um aumento de 22,0% da taxa de desmatamento anual, enquanto o agregado do DETER, nas classes desmatamento, consolidou uma queda de 4,6% em relação ao ano anterior. Essa divergência entre os valores do PRODES e do agregado DETER é esperada e já ocorreu em 25% dos anos avaliados na comparação histórica dos dados dos dois projetos”, diz o INPE, em nota técnica de 18 páginas assinada por cinco especialistas.

“Apesar de existir uma relação forte e significativa entre os dois projetos, é necessário enfatizar que a tendência anual do desmatamento observada no DETER não reflete necessariamente a tendência do PRODES do mesmo ano”, conclui.

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental. →

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