Notícias

Em Paris, Lula diz que é preciso mudar governança mundial para enfrentar mudanças climáticas

“Temos que chamar os desiguais, os diferentes, para que a gente possa atender a pluralidade dos problemas que o mundo tem”, defendeu, em discurso contundente

Cristiane Prizibisczki ·
23 de junho de 2023 · 1 anos atrás

O meio ambiente e a questão climática deram o tom do discurso de Lula (PT) na Cúpula Sobre o Novo Pacto de Financiamento Global, realizado em Paris, França, na manhã desta sexta-feira (23). 

Em sua fala, no entanto, o presidente aproveitou para relacionar a questão ambiental com outras agendas, consideradas por ele essenciais no combate às mudanças climáticas, como a reformulação de grandes organizações mundiais, a exemplo do Conselho de Segurança da ONU e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Se nós não mudarmos essas instituições, a questão climática vira uma brincadeira”, disse Lula.

De acordo com ele, tais órgãos deveriam retomar a força que tiveram um dia, para liderar os chamamentos globais para a ação climática.

“Quem é que vai cumprir as decisões emanadas dos fóruns que nós fazemos? É o Estado Nacional? Vamos ser francos: quem é que cumpriu o Protocolo de Quioto? Quem é que cumpriu as decisões da COP-15, em Copenhague? Quem é que cumpriu o Acordo de Paris? Ou seja, não se cumpre porque não tem uma governança mundial com força para decidir as coisas e a gente cumprir”, disse.

Para Lula, a reformulação dos organismos internacionais passa pela garantia da representatividade entre nações ricas e pobres. 

“Esses fóruns não podem ser um grupo de luxo. A elite política. Não. Nós temos que chamar os desiguais, os diferentes, para que a gente possa atender a pluralidade dos problemas que o mundo tem.”

Em fala contundente, o presidente também relacionou o problema da desigualdade social com a eficácia das medidas de combate às alterações no clima.

“Eu não vim aqui para falar somente da Amazônia. Eu vim aqui para falar que, junto com a questão climática, nós temos que colocar a questão da desigualdade mundial. Não é possível que numa reunião entre presidentes de países importantes, a palavra desigualdade não apareça”, disse.

“Se nós não discutirmos essa questão da desigualdade, e se a gente não colocar isso com tanta prioridade quanto a questão climática, a gente pode ter um clima muito bom e o povo continuar morrendo de fome em vários países do mundo”, continuou ele.

Durante o discurso, Lula também voltou a citar seu compromisso com o desmatamento zero até 2030 e a proteção dos demais biomas brasileiros.

“Vamos colocar isso como questão de honra, de até 2030 acabar com o desmatamento na Amazônia. O Brasil tem 30 milhões de hectares de terras degradadas, não precisa cortar uma árvore para plantar um pé de soja, um pé de milho ou criar gado. É só recuperar as terras degradadas […] E nós não temos apenas a Amazônia para cuidar. Nós temos o bioma do cerrado, nós temos o bioma da caatinga, nós temos o bioma do Pantanal, nós temos o bioma da Mata Atlântica.”

A Cúpula Sobre o Novo Pacto de Financiamento Global é um encontro organizado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para discutir novas formas de financiamento climático global. Isto é, para debater sobre quem paga a conta das mudanças no clima.

O encontro contou com a participação de mais de 300 entidades públicas, privadas ou não governamentais, incluindo mais de 100 chefes de Estado, entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

  • Cristiane Prizibisczki

    Cristiane Prizibisczki é Alumni do Wolfson College – Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde participou do Press Fellow...

Leia também

Notícias
19 de junho de 2023

Governadores da Amazônia se apressam para garantir bons resultados ambientais na COP de Belém

Defesa da Amazônia deve ser exercida pelos governos estaduais, argumentam. Governadores enviaram carta ao presidente, com posicionamento comum para a região

Notícias
16 de junho de 2023

Resultado de Bonn indica que Conferência do Clima de Dubai será tensa, diz especialista

Encontro terminou sem respostas concretas que possam pavimentar decisões a serem tomadas nos Emirados Árabes, em dezembro

Petropolis-fev-2022-3-Carl-de-Souza-AFP.
Colunas
15 de junho de 2023

A Torre de Babel das mudanças climáticas

As incongruências vão da velha tática da obstrução ao diversionismo parlamentar. Não é de hoje que os interesses nacionais se sentam à mesa das negociações climáticas apenas em defesa de interesses econômicos e geopolíticos domésticos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Comentários 2

  1. Luiz Prado diz:

    Um papagaaio com diarreia verbal!


  2. João Pinheiro Filho diz:

    Nunca votei e jamais votaria hoje em um candidato do PT, muito menos no Lula, No entanto, gostei do seu posicionamento da sua fala em Paris.