Notícias

Adeus ao mestre imortal Milton Thiago de Mello

Médico-veterinário com mais de 80 anos de carreira, referência no ensino e na formação de primatólogos, Milton faleceu nesta terça (1º), aos 108 anos

Duda Menegassi ·
2 de outubro de 2024 · 2 anos atrás

Com uma mente que permanecia afiada aos 108 anos de idade, o médico-veterinário Milton Thiago de Mello era considerado um ser imortal pelos seus colegas. Por isso, mesmo com a idade avançada, foi com surpresa e pesar que a comunidade científica recebeu a notícia de sua morte, nesta terça-feira (1º), em Brasília. Em seu extenso legado de mais de 80 anos de carreira, trouxe contribuições preciosas para a veterinária, a primatologia, o ensino e formação de novos pesquisadores. Milton deixa uma esposa, quatro filhos, cinco netos e dois bisnetos.

Carioca de berço, Milton nasceu em 5 de fevereiro de 1916 e graduou-se em Medicina Veterinária em 1937 pela Escola de Veterinária do Exército, no Rio de Janeiro. Na instituição militar deu início a sua carreira de pesquisador, com estudos pioneiros de zoonoses – doenças que afetam animais e seres humanos. Passou pelo Instituto Militar de Biologia, no então Instituto Oswaldo Cruz (atual Fiocruz) e, em 1974, foi trabalhar na área de biologia da Universidade de Brasília, onde fundou o Centro de Primatologia da instituição.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Famoso pela forma com que falava e dava suas aulas, capaz de hipnotizar e ao mesmo tempo entreter os ouvintes, Milton foi uma grande referência também na área de ensino.

Entre 1983 e 1989, Milton realizou seus lendários cursos de especialização, que formaram uma primeira geração de primatólogos no país, muitos deles atualmente responsáveis por importantes iniciativas de pesquisa e conservação no Brasil.

O Milton é um ícone pra medicina veterinária e para primatologia. Era uma pessoa visionária, amiga, realizadora. Era um fazedor. E além disso uma pessoa que conseguia congregar pessoas. Ele militou em muitas áreas e dentro da medicina veterinária foi com certeza uma das figuras mais expoentes que tivemos, inclusive com renome internacional. Ele influenciou muito o desenvolvimento científico do país e deve ser reconhecido no mais alto nível”, destaca Alcides Pissinatti, médico-veterinário e chefe do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ).

A Sociedade Brasileira de Primatologia publicou uma nota de pesar em homenagem a Milton, que era sócio fundador e honorário da entidade, e destacou seu importante legado de dedicação à pesquisa e ao ensino da primatologia no país.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária também publicou uma nota de pesar pela morte de Milton em que destaca que sua carreira, que inclui também importantes contribuições para a Organização das Nações Unidas (ONU) e para o campo da microbiologia.  “Embaixador da Medicina Veterinária Brasileira no mundo deixa legado de amor à profissão e imensurável contribuição para o progresso da ciência”, enaltece o texto.

O velório de Milton Thiago de Mello vai ser realizado nesta quinta-feira (3), às 14 horas, no Cemitério Campo da Capela, em Brasília.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
23 de julho de 2024

Por uma primatologia – e uma ciência – mais igualitária, diversa e inclusiva

((o))eco conversou com a presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia, Patrícia Izar, sobre a decolonização da ciência, tema central do Congresso Brasileiro de Primatologia, realizado neste mês

Reportagens
13 de agosto de 2024

“O Mono, de Alvaro Aguirre”, o resgate de um herói da conservação no Brasil

INMA relança livro de 1971 do zoólogo, responsável pelo primeiro levantamento de muriquis do Brasil, pioneiro no campo e na pesquisa em prol da conservação de uma espécie

Reportagens
22 de junho de 2023

Karen Strier, guardiã dos muriquis e matriarca de gerações de pesquisadores

Projeto de pesquisa liderado por Karen para estudar os muriquis-do-norte em Caratinga celebra 40 anos e reúne muriquis e primatólogos formados pela americana

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.