Estudo assinado pelos pesquisadores José Aroudo Mota, Geraldo Sandoval Góes, Jefferson Gazoni, Marcelo Teixeira da Silveira e José Maria Reganhan, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea/Ministério do Planejamento), mostra que a crise econômica evitou emissões de 1,783 bilhão de toneladas de Dióxido de Carbono no Brasil entre outubro de 2009 e janeiro deste ano. O montante é equivalente a cerca de 5% das emissões da indústria paulista.
A análise observou as indústrias de automotiva, de cimento, de ferro e aço e de alumínio. Todas tiveram produção e vendas contidas pela recessão econômica. A maior retração em emissões foi observada no setor de ferro e aço. “A crise financeira internacional tem provocado impactos ambientais positivos nos ecossistemas brasileiros”, concluem os autores do trabalho. Com produção e vendas em baixa, cai também a pressão para exploração de mais recursos naturais, de minérios a madeiras e outros insumos.
Não à toa, esses ramos da indústria são chamados de eletrointensivos. Eles consomem enormes quantidades de energia elétrica para elaborar itens primários, para consumo interno ou exportação. Um caso emblemático atrelado a esta lógica é o da usina hidrelétrica de Tijuco Alto, no Paraná. Ela foi projetada e deverá ser construída, acabando com cavernas, para alimentar uma produtora de alumínio da Votorantim.
Os autores do estudo também reforçaram que a crise econômica global é oportunidade clara para se alterar os modelos produtivos e, assim, poupar recursos naturais e reduzir a poluição. “Vale salientar que a queda nos níveis de carbono emitido irá despertar e acirrar o debate entre aqueles que apregoam o crescimento econômico a qualquer custo, inclusive com perdas da biodiversidade brasileira, com o movimento ambientalista”, avaliaram os pesquisadores do Ipea.
Graças a incentivos governamentais e ao reaquecimento da economia, a indústria brasileira vem retomando seus níveis de produção. Nos mesmos moldes anteriores.
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