Salada Verde

Crise cortou emissões da indústria

Análise do Ipea mostra que 1,7 bilhão de toneladas de gases que aquecem o planeta deixaram de ser emitidas no Brasil pelas indústrias de carros, cimento, ferro, aço e alumínio. Efeitos da crise econômica.

Salada Verde ·
19 de maio de 2009 · 17 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Estudo assinado pelos pesquisadores José Aroudo Mota, Geraldo Sandoval Góes, Jefferson Gazoni, Marcelo Teixeira da Silveira e José Maria Reganhan, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea/Ministério do Planejamento), mostra que a crise econômica evitou emissões de 1,783 bilhão de toneladas de Dióxido de Carbono no Brasil entre outubro de 2009 e janeiro deste ano. O montante é equivalente a cerca de 5% das emissões da indústria paulista.

A análise observou as indústrias de automotiva, de cimento, de ferro e aço e de alumínio. Todas tiveram produção e vendas contidas pela recessão econômica. A maior retração em emissões foi observada no setor de ferro e aço. “A crise financeira internacional tem provocado impactos ambientais positivos nos ecossistemas brasileiros”, concluem os autores do trabalho. Com produção e vendas em baixa, cai também a pressão para exploração de mais recursos naturais, de minérios a madeiras e outros insumos.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Não à toa, esses ramos da indústria são chamados de eletrointensivos. Eles consomem enormes quantidades de energia elétrica para elaborar itens primários, para consumo interno ou exportação. Um caso emblemático atrelado a esta lógica é o da usina hidrelétrica de Tijuco Alto, no Paraná. Ela foi projetada e deverá ser construída, acabando com cavernas, para alimentar uma produtora de alumínio da Votorantim.

Os autores do estudo também reforçaram que a crise econômica global é oportunidade clara para se alterar os modelos produtivos e, assim, poupar recursos naturais e reduzir a poluição. “Vale salientar que a queda nos níveis de carbono emitido irá despertar e acirrar o debate entre aqueles que apregoam o crescimento econômico a qualquer custo, inclusive com perdas da biodiversidade brasileira, com o movimento ambientalista”, avaliaram os pesquisadores do Ipea.

Graças a incentivos governamentais e ao reaquecimento da economia, a indústria brasileira vem retomando seus níveis de produção. Nos mesmos moldes anteriores.

Confira o estudo do Ipea aqui.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
11 de junho de 2026

Em pacotão de medidas ambientais, Lula cria e amplia parques nacionais

Governo assinou conjunto de decretos ambientais que foram desde unidades de conservação, à regulamentação de mecanismos financeiros e política de restauração na Caatinga

Colunas
11 de junho de 2026

Não há mais retorno, mas como seguimos em frente?

Embora os recifes localizados dentro dessas áreas protegidas não estejam imunes ao aquecimento dos oceanos, há evidências de que a mortalidade tende a ser menor em regiões bem conservadas

Reportagens
11 de junho de 2026

Nova lei enfraqueceu licenciamento ambiental e o transformou em exceção

Apelidada de “mãe de todas as boiadas”, a lei criou amplas possibilidades de licenças autodeclaratórias e dispensas de licenciamento, e limitou atuação de órgãos de proteção

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.