O Grupo J da Copa do Mundo de 2026 é composto pela atual campeã, Argentina, e as seleções da Áustria, Jordânia e Argélia.
A Argentina chega ao Grupo J como uma das favoritas ao título. Sob o comando do técnico Lionel Scaloni, o grande destaque do elenco atual continua sendo o vetereno Lionel Messi que, aos 38 anos, caminha para aquela que deve ser sua última dança em Mundiais. Ao seu lado, a espinha dorsal campeã se mantém forte com o goleiro Emiliano “Dibu” Martínez, o meio-campista Rodrigo De Paul e o atacante Julián Álvarez, além de nomes de peso como Lautaro Martínez e Alexis Mac Allister. Na Copa das Áreas Protegidas, porém, a liderança não será tão tranquila. Apesar de sua tradição na conservação e de contar com 473 áreas protegidas, o país protege apenas 8,82% de seu território continental, índice que o coloca na segunda posição do grupo, atrás da Áustria.
Apesar disso, a Argentina tem credenciais importantes neste campo. Foi pioneira na criação de parques nacionais na América do Sul, com a criação do Parque Nacional Nahuel Huapi, em 1903, e decretou cinco anos antes do Brasil o Parque Nacional Iguazú, responsável por proteger o lado argentino de um dos patrimônios naturais mais conhecidos do continente. Ainda assim, os números atuais mostram que a atual campeã mundial precisará se contentar com a vice-liderança na fase de grupos quando o assunto é conservação.

Se a Argentina é a favorita nos gramados, a Áustria é quem levanta a taça quando o critério é a proteção da natureza. A seleção é liderada pelo alemão Ralf Rangnick, conhecido como um dos pais do futebol de alta pressão moderna. O elenco austríaco é formado majoritariamente por atletas que atuam no alto nível europeu, com destaque para o capitão e referência defensiva David Alaba, anteriormente no Real Madrid e agora “free agent”. O meio-campo conta com nomes como Marcel Sabitzer e Konrad Laimer, enquanto o veterano Marko Arnautović, maior artilheiro da história da seleção, segue sendo o grande ponto focal do ataque.
Dentro do Grupo J, a Áustria desponta como a principal candidata a avançar ao lado da Argentina. A perspectiva da equipe é garantir a classificação para a recém-criada fase de 16 avos de final sem grandes sustos, disputando diretamente a segunda posição com a Argélia, ou até mesmo sonhando em surpreender a líder. Caso consiga impor seu estilo de jogo, os austríacos têm totais condições de fazer uma campanha digna na fase eliminatória, tornando-se uma equipe incômoda que nenhum dos gigantes do torneio gostaria de enfrentar precocemente.
Se no futebol a Áustria aparece como candidata a surpreender e lutar pela segunda vaga do grupo, na Copa das Áreas Protegidas ela entra em campo como liderança absoluta. O país protege quase 30% de seu território terrestre, um percentual mais de três vezes superior ao da Argentina e suficiente para lutar pela taça quando o critério é a proteção da natureza.
FOTOS UCS OU CARDS DE UCS – ÁUSTRIA

A Áustria conta com 1684 áreas protegidas terrestres, das quais 24 estão classificadas na categoria II da IUCN, que abarca os parques nacionais. Porém, eles só correspondem a 1.43% do total de áreas protegidas do país, que tem a maior parte (40%) de seu sistema de áreas protegidas em área de gestão de habitats ou espécies (Categoria IV da IUCN).
Prováveis lanternas na chave, as duas últimas seleções do Grupo J, Argélia e Jordânia, possuem fragilidades tanto nos gramados quanto no percentual de área que protegem. A Argélia chega à Copa de 2026 sonhando em repetir, ou até superar, a campanha histórica de 2014. Atualmente comandada pelo técnico Vladimir Petković, bósnio naturalizado suíço, a seleção argelina passou por um processo de renovação que mescla a velha guarda com novos talentos. Estrelas consagradas como o atacante Riyad Mahrez, o zagueiro Ramy Bensebaini e o meio-campista Nabil Bentaleb continuam. A eles, somam-se nomes em ascensão no futebol europeu, como o goleador Mohamed Amoura.
No futebol, a missão da Argélia é superar a fase de grupos. O confronto direto contra a Áustria promete ser o momento decisivo que definirá quem avança na segunda colocação, embora o formato expandido com os melhores terceiros colocados também jogue a favor dos africanos. As perspectivas para o decorrer do torneio indicam que a Argélia pode ser um “azarão” interessante; se conseguirem encaixar, têm grandes chances de alcançar a fase de mata-mata e igualar, ou até superar, o histórico feito de 2014. Na Copa das Áreas Protegidas, porém, o cenário é menos animador. Com apenas 73 áreas protegidas cobrindo somente 4,66% do território nacional, os argelinos entram em campo ocupando a última posição do grupo.
Assim como uma seleção que depende de alguns craques para compensar limitações do elenco, a conservação argelina se apoia em áreas de enorme importância, como o Parque Nacional de Tassili n’Ajjer, Patrimônio Mundial da UNESCO, além dos parques nacionais de El Kala e Djurdjura. O problema é que boas individualidades não conseguem esconder a fragilidade dos números gerais.

Já a Jordânia chega ao Mundial como uma das grandes histórias da competição. A edição de 2026 marca um momento histórico para o país, que faz sua primeira e sonhada aparição em uma Copa do Mundo da FIFA. Até então, o mais perto que o país do Oriente Médio havia chegado do Mundial foi em 2014, quando caíram na repescagem intercontinental diante do Uruguai. No entanto, o futebol jordaniano vive a melhor fase de sua história, impulsionado pela grande campanha na Copa da Ásia de 2023, onde alcançaram a final pela primeira vez. Essa classificação para o Mundial consolida um trabalho de anos de desenvolvimento da federação local.
Sob a batuta do técnico marroquino Jamal Sellami, a Jordânia entra em campo com um elenco modesto para os padrões globais. O grande astro internacional da equipe é o ponta Mousa Al Tamari, que atua no Stade Rennais (França) e é apelidado de “Messi Jordaniano” por sua habilidade de drible e poder de decisão. Além dele, o atacante Ali Olwan e o experiente zagueiro Yazan Al Arab formam a espinha dorsal de um time que se defende de maneira compacta e aposta tudo em transições ofensivas.
Sendo a estreante e teoricamente a equipe de menor expressão do Grupo J, o objetivo principal da Jordânia será tentar conquistar seu primeiro gol e seu primeiro ponto na história das Copas. Qualquer vitória na fase de grupos, ou até mesmo beliscar uma vaga entre os melhores terceiros colocados, seria considerado um milagre esportivo e motivo de festa nacional para os jordanianos.

Curiosamente, na Copa das Áreas Protegidas os jordanianos largam em situação um pouco mais confortável. Com 34 áreas protegidas cobrindo 5,43% do território terrestre, o país supera a Argélia e assume a terceira colocação do grupo.
Assim como sua equipe de futebol aposta em organização e espírito coletivo para compensar a falta de tradição internacional, a conservação jordaniana se sustenta em algumas áreas de destaque, como a Reserva da Biosfera de Dana e a Reserva Natural de Mujib.
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