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Filhotes gêmeos marcam primeiro nascimento de gorilas-da-montanha em 2026

Espécie é exemplo de resultados bem-sucedidos de esforços para conservação; Gêmeos são filhos de Mafuko, uma gorila de 22 anos

Vinicius Nunes ·
12 de janeiro de 2026
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Foram registrados os primeiros nascimentos de gorilas-da-montanha de 2026. Filhotes gêmeos nasceram na última quarta-feira (7), e são filhos de Mafuko, uma gorila de 22 anos. O registro ocorreu no Parque Nacional de Virunga, localizado na República Democrática do Congo.

Mafuko teve sete filhotes, e esta é a segunda vez que ela tem gêmeos. Os primeiros, nascidos em 2016, faleceram depois de poucos dias. A equipe do parque explica que o nascimento de gêmeos entre gorilas-da-montanha é um fenômeno raro, e oferece desafios adicionais para a mãe, responsável pelos cuidados. Afinal, os filhotes são totalmente dependentes da mãe para cuidado e transporte ainda nos primeiros meses de vida.

Em comunicado oficial, o time de profissionais do Virunga confirmou que, após o nascimento dos gêmeos, medidas adicionais de monitoramento e proteção foram implementadas, para que assim possam acompanhar de perto os filhotes e, assim, oferecer suporte reforçado durante este período.

Os gorilas-da-montanha (Gorilla beringei beringei) estão classificados como Em Perigo (EN), de acordo com a União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN). Desde 1989, a partir de esforços mais robustos, a espécie aumentou em 73% a sua população, o que a retirou da categoria de risco como “Criticamente Ameaçada” (CR). 

As estimativas são de que hajam 1.075 indivíduos, e cerca de um terço deles estão localizados no Parque Nacional de Virunga, nas encostas de seus vulcões adormecidos. As altitudes desta região variam entre 2 mil e 4 mil metros. 

Diante deste ecossistema rígido, os gorilas-da-montanha se notabilizam por pêlos mais longos, espessos, e braços mais curtos em comparação a outras espécies de primatas. Os gorilas-da-montanha são uma espécie sociável, e vivem em grupos de dois a até 40 indivíduos. Com uma dieta essencialmente herbívora, são capazes de comer até 18 quilos de vegetação por dia. A perda de habitat provocada pelo desmatamento, a caça ilegal, assim como a transmissão de doenças pelos seres humanos estão entre as principais ameaças à espécie.

Parque Nacional de Virunga como palco de resistência e conflito

O Parque Nacional de Virunga se destaca por ser o primeiro parque nacional do continente africano, criado em 1925. Com extensão de 790 mil hectares, a unidade de conservação foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas Para a Educação, Ciência e Cultura) em 1979.

O território onde está localizado o parque infelizmente o coloca sob risco. Suas regiões de fronteira com Ruanda e Uganda terminam por colocar o parque como palco para conflitos entre grupos paramilitares e o governo congolês. De acordo com a Associação dos Guarda Parques da África (GRAA), estes atores armados estão conectados à caça de animais selvagens, a pesca, e a extração de madeira ilegal. Infelizmente, a violência na região já resultou na morte de cerca de 150 guarda-parques no Virunga, desde 2006.

  • Vinicius Nunes

    Cientista Social pela FGV/CPDOC e estudante de Jornalismo na ESPM-Rio. Entusiasta da pauta ambiental, política e esportes.

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