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Conheça as cinco novas unidades de conservação do Ceará

O governo cearense criou cinco UCs que protegem cerca de 80 mil hectares na Caatinga e ajudam a combater a desertificação que avança no semiárido brasileiro

Duda Menegassi ·
26 de janeiro de 2026

A proteção da Caatinga cearense ganhou um reforço com cinco novas unidades de conservação. As áreas protegidas foram criadas pelo governo do estado no final de dezembro e somam cerca de 80 mil hectares no bioma, a maior parte na categoria de uso sustentável. A maior delas é a Área de Proteção Ambiental (APA) Serras da Caatinga, com 66,3 mil hectares, que abrange diferentes ecossistemas, com formações de floresta úmida e mata seca, na região da Serra do Machado, a 120 quilômetros de Fortaleza. A conservação da Caatinga é vista como fundamental no combate à desertificação e na mitigação dos impactos da crise climática.

Os decretos, publicados no dia 16 de dezembro, criaram ainda a APA Serras de Irauçuba, o Monumento Natural Furna dos Ossos, a Área de Relevante Interesse Ecológico Pontal da Serra da Ibiapaba e o Refúgio de Vida Silvestre Picos da Caatinga. Com as novas cinco áreas, o estado do Ceará chega a 44 unidades de conservação estaduais.

Localizada nos municípios de Canindé, Itatira e Santa Quitéria, a APA Serras da Caatinga abriga espécies como o veado-catingueiro (Mazama gouazoubira), o gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) e o caititu (Tayassu tajacu). A caça está entre as principais ameaças à biodiversidade local, ao lado do desmatamento e queimadas associadas à produção de carvão e a conversão de vegetação nativa em monocultura de bananeiras, como detalha o estudo que embasou a criação da APA.

Também no município de Canindé, na divisa com Itatira, está o Refúgio de Vida Silvestre Picos da Caatinga, que abriga um dos últimos redutos de matas úmidas do semiárido cearense. Com 2.181 hectares, a área é habitat de espécies ameaçadas como as aves maria-do-nordeste (Hemitriccus mirandae) e vira-folha-cearense (Sclerurus cearensis), cuja sobrevivência depende da manutenção de remanescentes florestais preservados e conectados. O refúgio também ajuda na proteção de nascentes e na regulação climática local.

As formações rochosas do Monumento Natural Furna dos Ossos. Foto: Governo do Ceará/Divulgação

Mais ao leste do estado, a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Pontal da Serra da Ibiapaba possui 6.134 hectares, distribuídos entre os municípios de Graça, Pacujá e Reriutaba. A nova área protegida cearense é vizinha de outras UCs consolidadas no estado, como o Parque Nacional de Ubajara e a Área de Proteção Ambiental da Serra da Ibiapaba, criando um mosaico de unidades de conservação em prol da Caatinga e um corredor ecológico para a fauna.

Já a recém-criada APA Serras de Irauçuba, no município de Irauçuba, está inserida em uma zona prioritária para restauração ecológica, localizada em um dos principais núcleos de desertificação do Ceará. A criação da UC, com 4.966 hectares, tem um papel estratégico para desacelerar a degradação ambiental e promover a resiliência ecológica na região. 

A menos de 50 quilômetros de lá, em linha reta, está o Monumento Natural Furna dos Ossos, no município de Tejuçuoca. A unidade de conservação de proteção integral conta com 60 hectares e tem como objetivo central preservar a paisagem de formações rochosas entremeadas pela vegetação da Caatinga.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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