O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu início ao primeiro projeto contratado no âmbito do programa BNDES Corais, voltado ao mapeamento e monitoramento de recifes rasos ao longo da costa brasileira. A iniciativa, executada pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, contará com R$5,5 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental e terá duração de 36 meses.
Batizado de SER Corais, o projeto prevê a realização de expedições de campo, mergulhos científicos e análises ambientais em cerca de 2.800 quilômetros do litoral, abrangendo oito estados: Bahia, Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, além dos dois principais bancos de corais do país: Abrolhos (BA) e Parcel Manuel Luís (MA)
O monitoramento deverá acompanhar a cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de espécies exóticas invasoras, além de gerar mapas técnicos, relatórios científicos e protocolos de restauração recifal. Ao todo, o projeto prevê apoiar ao menos dez unidades de conservação, monitorar 28 espécies e avaliar a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias
A iniciativa integra o BNDES Azul, estratégia lançada em 2024 voltada à conservação dos oceanos, adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento da chamada economia azul. Segundo o banco, o objetivo é ampliar a base de dados científicos sobre os recifes brasileiros, considerados ecossistemas estratégicos para a biodiversidade marinha, a proteção costeira e atividades como pesca e turismo
Além do monitoramento em larga escala, o SER Corais inclui ações práticas de restauração ecológica, como o cultivo experimental de corais em viveiros no mar e em laboratório, testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas, com destaque para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Coroa Alta, no sul da Bahia. Também está prevista a criação de um aplicativo para acionar protocolos de alerta e resposta rápida à introdução de espécies invasoras no ambiente marinho
Do ponto de vista social, o projeto prevê ações de capacitação e geração de renda em comunidades costeiras, com foco no turismo de base comunitária e no fortalecimento de cadeias produtivas locais. Em Santa Cruz Cabrália (BA), por exemplo, a expectativa é beneficiar diretamente cerca de 230 famílias por meio de oficinas, mentorias e apoio à estrutura produtiva, buscando reduzir a pressão sobre a pesca predatória
A contratação marca o início da execução do BNDES Corais, considerada pelo banco a maior chamada pública já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral. A iniciativa está alinhada ao Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais), às Décadas da Ciência Oceânica e da Restauração de Ecossistemas, e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados à biodiversidade, clima e trabalho decente.
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