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De saída no MMA, Marina faz balanço dos últimos 3 anos e ‘passa’ o bastão para Capobianco

Ministra destaca queda do desmatamento, reconstrução institucional e aposta na continuidade da agenda ambiental sob comando do ex-secretário executivo

Karina Pinheiro ·
1 de abril de 2026

Em sua última coletiva à frente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, nesta quarta-feira (1), a ministra Marina Silva apresentou um balanço dos três anos de gestão e afirmou que deixa a pasta com uma agenda estruturada para ter continuidade no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A transição será conduzida pelo atual secretário-executivo, João Paulo Capobianco, que assume a pasta.

A ministra ressaltou que, ao reassumir o cargo em 2023 [Marina havia sido ministra entre 2003 e 2008], encontrou uma estrutura fragilizada e que a principal missão foi reconstruir a capacidade do Estado na área ambiental. Segundo ela, esse processo envolveu a recomposição institucional e o fortalecimento orçamentário da pasta. Mais de 1,5 mil servidores foram incorporados ao sistema ambiental federal, distribuídos entre o Ibama, o ICMBio e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, além da ampliação de 120% no orçamento em relação a 2022.

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Marina também destacou a retomada de diretrizes históricas da política ambiental brasileira, como o retorno do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDam), dessa vez expandido para todos os biomas, não apenas a Amazônia, o fortalecimento do sistema nacional de meio ambiente, o controle e a participação social e a integração com o desenvolvimento sustentável. “A política ambiental precisa deixar de ser uma política setorial, ela tem que ser uma política transversal, porque o meio ambiente está na base de tudo”, disse. “Essas diretrizes são um método que permitiu transformar orientação política em resultados concretos.”

Entre os principais resultados apresentados está a acentuada redução do desmatamento. Segundo dados do Ministério, houve queda de 50% na Amazônia e de 32% no Cerrado em 2025, na comparação com 2022, evitando a emissão de 733 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes. A ministra atribuiu os resultados ao fortalecimento das ações de fiscalização e à retomada dos planos de prevenção e controle, com aumento das operações e das áreas embargadas, além da redução de atividades ilegais como o garimpo em territórios sensíveis, incluindo a Terra Indígena Yanomami.

No campo econômico, Marina destacou a mobilização de cerca de R$179 bilhões para a agenda climática e ambiental, com foco em instrumentos que tornem a floresta em pé mais competitiva do que sua destruição. “A gente só vai zerar o desmatamento se tiver instrumentos econômicos adequados”, afirmou. Também citou avanços na bioeconomia, na criação e ampliação de unidades de conservação e na formulação de políticas climáticas de longo prazo.

João Paulo Capobianco será o novo ministro do Meio Ambiente no lugar de Marina. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Outro eixo enfatizado foi a agenda econômica ligada à transição ecológica. De acordo com o balanço, o governo mobilizou cerca de R$190 bilhões em investimentos voltados à chamada transformação ecológica, com foco em bioeconomia, energias renováveis e cadeias produtivas de baixo carbono. 

“Nós fomos capazes de fazer um plano Clima com uma NDC ambiciosa. Nós fomos capazes de fazer um plano de combate ao desmatamento com todo mundo trabalhando junto, um plano de transformação ecológica, um plano de biodiversidade, populações tradicionais, com implementação de bons resultados”, afirmou Marina.

No campo da conservação, foram criadas ou ampliadas 16 unidades de conservação federais, reforçando a estratégia de expansão de áreas protegidas como ferramenta de contenção do desmatamento e preservação da biodiversidade. A gestão também avançou na formulação do Plano Clima, que deve orientar as ações do país até 2035. O documento incorpora o conceito de justiça climática, buscando integrar políticas ambientais com redução de desigualdades sociais, um dos pontos centrais do discurso da atual administração. Ao final, Marina reforçou que os resultados apresentados são fruto de um esforço coletivo e que a agenda ambiental deve se consolidar como política de Estado. A transição para João Paulo Capobianco, segundo ela, garante a continuidade das ações em curso. “Garantindo a continuidade das políticas adotadas no governo do presidente Lula nos últimos anos”. 

A ministra deixa o cargo para disputar as eleições, ainda sem definição do caminho: se será vice na chapa de Fernando Haddad para o governo de São Paulo ou se disputará uma vaga ao Senado representando o estado paulista.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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