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Estudo revela formas de conservar linhagem única do pau-brasil no Rio

Pesquisa encontra 30 novos locais com a linhagem arruda-RJ e propõe protocolo de urgência para proteger a diversidade genética da espécie em 11 cidades

Mirella Casanova ·
24 de abril de 2026
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Símbolo histórico do Brasil, o pau-brasil ainda resiste em fragmentos da Mata Atlântica. Um estudo recente mapeou a ocorrência da linhagem Paubrasilia echinata, chamada de arruda-RJ, exclusiva do Rio de Janeiro. Ele definiu, por meio de mapeamento em um método inédito, quais áreas precisam de maior prioridade para garantir sua conservação. 

Publicado em 7 de abril no periódico Oryx, o estudo Conservation of Atlantic Forest fragments: is the iconic brazilwood Paubrasilia echinata adequately protected in south-east Brazil? traz novos dados sobre a conservação do pau-brasil no Estado do Rio de Janeiro. 

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A partir de pesquisas de campo, os cientistas mapearam fragmentos de vegetação nativa em 11 municípios da costa fluminense. O levantamento identificou 43 áreas com ocorrência da linhagem Paubrasilia echinata arruda-RJ, 30 a mais do que as 13 registradas anteriormente. Com base nesses dados, o estudo também desenvolveu um protocolo inédito para classificar a conservação dos fragmentos.

A pesquisa foi conduzida pela bióloga Patricia Rosa, do Herbarium Bradeanum da UERJ, com participação de pesquisadores de diferentes instituições brasileiras e internacionais e com a orientação de Haroldo Lima, do Programa de Pós-graduação em Botânica da Escola Nacional de Botânica Tropical – Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Segundo os autores, as medidas são fundamentais para garantir a conservação da linhagem e de sua diversidade genética, além de contribuir para metas de proteção da biodiversidade, especialmente diante das ameaças causadas pelo avanço da urbanização. 

Árvore de pau-brasil da linhagem Paubrasilia echinata. Créditos: Patricia Rosa

“A gente gostaria muito que o estado pudesse liderar a conservação do pau-brasil arruda-RJ e dar exemplo para outros estados. Como é a árvore símbolo do Brasil, políticas públicas voltadas à sua preservação podem incentivar a proteção de outras linhagens pelo país”, afirma a pesquisadora Patrícia Rosa.

A pesquisa contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), por meio do programa Bolsas para o Futuro. 

Os resultados indicam que oito áreas são de alta prioridade para a preservação da linhagem. Esses locais funcionam como “Arcas de Noé”, segundo uma das autoras, por reunirem árvores em diferentes estágios de desenvolvimento e apresentarem melhores condições de proteção. 

Outros 25 fragmentos têm prioridade média e 10, baixa, geralmente por serem menores, menos protegidos ou com pouca informação disponível. Entre as estratégias recomendadas estão a conservação in situ, no ambiente natural, e ex situ, fora dele, como em viveiros e jardins botânicos.

  • Mirella Casanova

    Estudante de Jornalismo na ESPM-Rio. Possui interesse em jornalismo ambiental, com foco em sustentabilidade e clima, além de pautas culturais e sociais.

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