O Eco+ | Edição #292 | maio/2026
17 de maio de 2026
Dezesseis anos após a tragédia do Morro do Bumba, em Niterói (RJ), sobreviventes ainda convivem com as perdas, os traumas e o abandono deixados pelo desastre que matou ao menos 48 pessoas em abril de 2010. O jornalista Lucas Luciano conversou com moradores, que relembram o impacto da destruição da comunidade e denunciam a falta de assistência contínua às famílias afetadas. Construído sobre um antigo lixão desativado nos anos 1980, o Morro do Bumba reunia condições precárias de moradia e solo instável, agravadas pelo acúmulo de lixo e entulho sob a superfície. Com as fortes chuvas de abril de 2010, a pressão da água sobre o terreno saturado pela decomposição dos resíduos provocou o deslizamento que devastou a comunidade em Niterói (RJ). “Foi uma sequência de descasos. Aquilo ali, na verdade, era uma lixeira. Depois que começaram a chegar as pessoas, não havia controle: alguém levantava o barraco e a prefeitura autorizava. E até hoje existe abandono, não cuidam de ninguém. Alguns receberam casas e outras ajudas, mas outros perderam tudo e tiveram que se virar”, relata o despachante Zé Mauro, de 52 anos, presenciou o desmoronamento.
Com quase cinco décadas dedicadas à conservação da natureza, o engenheiro florestal Miguel Milano vai celebrar seus 70 anos lançando, durante a UCBIO em Curitiba, o Instituto Miguel Milano. A nova organização concederá anualmente o Prêmio Miguel Milano de Conservação da Natureza, no valor de R$ 100 mil, para reconhecer iniciativas inovadoras voltadas à proteção ambiental no Brasil. O projeto nasce como um legado vivo do ambientalista, que escolheu transformar sua trajetória em incentivo para novas ações em defesa da biodiversidade. A repórter Elizabeth Oliveira resgata essa trajetória deste professor, ambientalista e articulador de iniciativas históricas da conservação no Brasil. Ao longo de décadas, Milano participou da criação e fortalecimento de organizações como a Fundação Grupo Boticário e apoiou projetos que se tornaram referência, como o jornalismo ambiental de ((o))eco. Agora, transforma esse legado em um novo incentivo à conservação com a criação do próprio Instituto.
Após oito anos sem um grande encontro nacional voltado às unidades de conservação, a UCBIO surge para recolocar as áreas protegidas no centro do debate ambiental brasileiro. Realizada em junho, em Curitiba, a conferência quer reunir especialistas, gestores, pesquisadores e organizações para discutir os desafios da conservação da biodiversidade diante da crise climática e das crescentes pressões sobre os ecossistemas. “O Brasil precisa falar mais sobre unidades de conservação”, defende Angela Kuczach, diretora-executiva da Rede Pró-UCs, uma das organizadoras do evento, em entrevista a Duda Menegassi, que adianta a programação do evento nesta nota.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
Ainda dá tempo: inscrições abertas para Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade – UCBIO, que ocorre nos dias 7 a 9 de junho em Curitiba, Paraná
Nomes como do ativista dos oceanos Paul Watson, da Sea Shepherd; do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin; da ex ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; e do ecologista John Terborgh, professor emérito de Ciência Ambiental na Duke University e um dos maiores especialistas em conservação no mundo, já estão confirmados. O UCBio é realizado pela Rede-Pró UC e a Associação Caatinga, e tem ((o))eco como parceiro de mídia oficial. E você, como membro apoiador de ((o))eco, tem uma condição especial: use o cupom OECO30 e garanta 30% de desconto na sua inscrição.
Parques Nacionais: conservar para todos o que é de todos!
· Destaques ·
Morro do Bumba: 16 anos depois, sobreviventes ainda convivem com as marcas da tragédia
Legado vivo: Instituto Miguel Milano vai premiar quem protege a natureza brasileira
UCBIO: Um novo – e necessário – palco para as unidades de conservação brasileiras
· Conservação no Mundo ·
Estrada para o amanhã. A campanha para restaurar os Everglades recebeu um impulso com a conclusão de um projeto fundamental que devolve o fluxo de água a 55.000 acres que antes haviam sido drenados para empreendimentos imobiliários. A estrada Patterson Boulevard faz parte do que restou de uma imensa malha viária construída anos atrás para um empreendimento fracassado, ambicioso demais e ecologicamente desastroso. No entanto, essas trilhas se tornaram agora a porta de entrada para um dos projetos de restauração mais impressionantes do Sul da Flórida, um ponto positivo em quase três décadas de esforços para proteger e revitalizar o que resta do ecossistema dos Everglades. [E360Yale]
Empurrados para a extinção. Duas espécies da Antártida — o pinguim-imperador e o lobo-marinho-antártico — foram reclassificadas como “Em Perigo” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, referência global sobre o risco de extinção de espécies. Segundo a entidade, a mudança climática é o principal fator por trás do agravamento do status de conservação. O pinguim-imperador deixou a categoria “Quase Ameaçado” após projeções indicarem que sua população pode cair pela metade até a década de 2080, em razão das transformações no gelo marinho. Já o lobo-marinho-antártico saiu de “Pouco Preocupante” para “Em Perigo” depois de perder quase 50% de sua população entre 1999 e 2025, impactado pela redução na disponibilidade de alimentos. [Earth.org]
· Dicas Culturais ·
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Glossário de racismo ambiental | ActionAid
Esta publicação é resultado de um processo coletivo construído desde 2022 com crianças e adolescentes participantes das atividades de Vínculos Solidários no Brasil, que vivem em territórios marcados por profundas desigualdades socioambientais. Ao longo de três anos, os encontros abordaram o racismo ambiental a partir de temas do cotidiano, como acesso à água, saneamento básico e moradia, aprofundando debates e reflexões que evidenciaram a necessidade de registrar aprendizados, experiências e sentimentos compartilhados ao longo desse percurso. Desenvolvida pela equipe de Vínculos Solidários da ActionAid Brasil em parceria com organizações comunitárias, a metodologia utilizada na construção do glossário também está disponível no livro para ser replicada, adaptada e multiplicada em diferentes contextos e territórios.
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Passaredo | Chico Buarque e Francis Hime
A canção Passaredo, composta por Chico Buarque e Francis Hime, é uma celebração da biodiversidade brasileira e um alerta sobre a ameaça às aves e à natureza. A música enumera dezenas de espécies de pássaros presentes no país, enquanto denuncia, de forma sutil, a violência contra a fauna. Lançada na década de 1970, a obra se tornou referência quando o tema é preservação ambiental e riqueza dos ecossistemas brasileiros.
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Análise Comparativa da Legislação de Regularização Fundiária na Amazônia Legal | Imazon
Um estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia em parceria com o Observatório de Políticas de Governança de Terras revela que leis criadas para organizar o acesso à terra na Amazônia vêm, na prática, estimulando a ocupação irregular de áreas públicas e fortalecendo a grilagem. A análise de 41 normas federais e estaduais mostra que regras de regularização fundiária permitem a titulação até em casos com desmatamento recente, ausência de moradia permanente e posse de outros imóveis rurais.





