O Grupo G da Copa do Mundo 2026 chega para surpreender. Enquanto as seleções de Bélgica, Irã, Egito e Nova Zelândia seguem em franca disputa pela classificação para a fase de mata-mata no futebol, o mesmo não pode ser dito para a Copa do Mundo das Áreas Protegidas.Quando se trata de conservação das suas riquezas naturais, existem favoritos claros na chave – e potenciais surpresas na disputa pelo título.
Abaixo, confira como estão os países do Grupo G quando o assunto é proteção da natureza:
Bélgica
A seleção da Bélgica não chega para este mundial com o mesmo hype de outras edições. Em meio à transição da famosa geração belga da década passada, os Diabos Vermelhos buscam garantir uma bem-sucedida passagem de bastão dentro do elenco, enquanto fazem a manutenção de quadros históricos do time semifinalista da copa de 2018.
No que tange a proteção de suas riquezas naturais, a Bélgica se destaca no grupo. O país possui quase 3 mil unidades de conservação (2984), das quais seis são parques nacionais. Curiosamente, o primeiro parque nacional belga surgiu apenas em março de 2006, chamado de Parque Nacional Hoge Kempen. Com 5700 hectares, ele é caracterizado por florestas de pinheiros e áreas de charneca, composta por pequenos arbustos e uma paisagem campestre. Em maio de 2011, o parque foi colocado em lista indicativa da UNESCO para ser considerada como Patrimônio Mundial.
A Bélgica possui 16,4% de seu território coberto por áreas protegidas. Os números são ainda mais promissores quando se trata da sua costa, visto que 38,3% do litoral é protegido por unidades de conservação. Com esses números, o país se coloca em boas condições para se classificar no grupo sem grandes sustos.

Egito
O Egito chega embalado para a última rodada do grupo, após conquistar sua primeira vitória na história das copas do mundo diante da Nova Zelândia no último domingo (21). Enquanto Os Faraós têm chances reais de avançarem aos dezesseis avos no mundial de futebol, o cenário é mais preocupante quando se trata da proteção da biodiversidade. Uma classificação para a próxima fase deverá depender de uma vaga entre os melhores terceiros colocados.
O país do norte da África possui 50 unidades de conservação, que abrangem 13,1% de sua extensão territorial. A proteção de seu litoral é ainda mais tímida, com apenas 5% da costa coberta por áreas protegidas. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), os principais desafios enfrentados pelo Egito na conservação de seus ecossistemas incluem rápido crescimento populacional, expansão da sua malha urbana e industrialização.
Dentre os esforços para proteger as riquezas naturais do país, o PNUD tem apoiado o turismo sustentável em áreas estratégicas, a exemplo do Parque Nacional Wadi El Gemal. O parque inclui uma rica biodiversidade marinha, com mais de 450 espécies de corais e 1200 espécies de peixe que vivem na região do Mar Vermelho. É também uma área importante para a conservação de aves migratórias, como é o caso do falcão-sombrio (Falo concolor), visto que 10% dos exemplares globais da espécie migram para o litoral egípcio durante seu período reprodutivo.

Nova Zelândia
De volta a uma copa do mundo depois de 16 anos, a Nova Zelândia chega com a simples missão de desfrutar da experiência de participar novamente da maior competição de futebol do planeta. Enquanto os All Whites são tidos como zebras dentro das quatro linhas, eles estão entre as grandes potências quando o assunto é proteção da natureza.
A Nova Zelândia é um dos poucos países do mundo que já atende a meta 30×30 estabelecida pela ONU. Os neozelandeses possuem mais de 10 mil unidades de conservação (10450), que cobrem 33,4% de sua malha terrestre e 30,4% de seu litoral. Na Copa do Mundo das Áreas Protegidas, eles chegam como fortes candidatos ao título simbólico, e garantem classificação tranquila dentro do grupo.
A Nova Zelândia possui 13 parques nacionais, que juntos abrangem 30 mil quilômetros quadrados. Estas áreas protegidas incluem paisagens diversas, desde regiões alpinas, vulcânicas, além de áreas costeiras, florestas e pântanos.

Os entusiastas do cinema de fantasia podem notar que muitos destes ambientes remetem aos cenários apresentados na trilogia de Senhor dos Anéis. As Cataratas Tawhai, por exemplo, situadas no Parque Nacional de Tongariro, foi palco de cena emblemática de Senhor dos Anéis: Duas Torres, quando Faramir captura Gollum no “lago proibido”.
Irã
O Irã tem participado de forma mais recorrente das copas do mundo, tendo se classificado para as edições de 2018 e 2022. No mundial deste ano, o Time Melli segue vivo em um grupo complicado, e sonha com a classificação inédita para a fase de mata-mata do mundial, em meio aos desafios que atravessam o país e a passagem de sua seleção nos Estados Unidos.
Quando se trata de conservação da natureza, no entanto, os iranianos encontram dificuldades na Copa de Áreas Protegidas. O país possui 141 unidades de conservação (UCs). Apesar do número expressivo, estas áreas cobrem apenas 7,8% de seu território. A proteção de suas UCs marinhas também é um ponto de verdadeira fragilidade, protegendo apenas 0,92% de sua área costeira.
Má gestão de recursos hídricos, destruição de habitat, lançamento de mísseis, são apenas alguns dos vários desafios que atravessam o país, e terminam por comprometer os esforços para conservação de sua biodiversidade. Relatório do Instituto Climate & Community de março deste ano mostra que os bombardeios de Estados Unidos e Israel despejaram mais de cinco milhões de toneladas de carbono (CO2) nos primeiros 15 dias do confronto.

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