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Campanha premiada em Cannes coloca conservação marinha brasileira em evidência

Reconhecimento em Festival de Criatividade de Cannes impulsiona debate sobre conservação marinha e reforça criação da maior área protegida do oceano brasileiro

Mariana Dawas ·
10 de julho de 2026

O reconhecimento internacional da campanha “Sem Azul Não Há Verde”, vencedora de um Leão no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions 2026, coloca em destaque uma mobilização que ajudou a ampliar o espaço da conservação marinha na agenda pública brasileira. Desenvolvida pela agência Droga5 para a aliança SOS Oceano, a iniciativa aproximou a população de um tema historicamente restrito ao meio técnico e fortaleceu o movimento que culminou na criação do Parque Nacional do Albardão, hoje a maior área marinha protegida do Brasil.

Reconhecida dentro da categoria Print & Publishing Lions, dedicada a campanhas que utilizam linguagem editorial e visual criativa, a iniciativa utilizou o conceito “Sem Azul Não Há Verde” para evidenciar a relação direta entre a saúde dos oceanos, a manutenção da biodiversidade, o equilíbrio climático e a qualidade de vida das populações.

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Ao longo da mobilização, a campanha ganhou dimensão nacional por reunir diferentes setores em torno da pauta da conservação marinha. A ação contou com a participação de organizações ambientais, pesquisadores, lideranças indígenas, influenciadores e artistas, ampliando o alcance da discussão sobre a necessidade de expandir as áreas protegidas no litoral e no oceano brasileiros.

O fortalecimento desse movimento ocorreu em paralelo ao processo que levou à criação do Parque Nacional do Albardão, oficializado pelo governo federal após mais de vinte anos de estudos científicos, articulação institucional e mobilização da sociedade civil. A nova unidade de conservação protege 1.004.480 hectares de ambientes marinhos, complementados por uma Área de Proteção Ambiental (APA) de 55.983 hectares, formando um mosaico de conservação no extremo sul do Rio Grande do Sul.

Fonte: ICMBio/MMA

Além de representar um marco histórico para a política ambiental brasileira, o parque estabelece a maior unidade de conservação marinha de proteção integral do país. A área está situada em uma região de elevada importância ecológica, influenciada pelas correntes do mar patagônico e reconhecida por concentrar uma rica diversidade de espécies e habitats.

A criação da unidade de conservação também fortalece a estratégia brasileira de ampliar a proteção dos ecossistemas marinhos diante dos compromissos internacionais de conservação da biodiversidade. Embora cerca de um quarto da área marinha nacional esteja sob alguma categoria de proteção, apenas uma parcela reduzida conta com proteção integral, considerada a modalidade mais eficaz para preservar habitats e recuperar populações de espécies ameaçadas.

O reconhecimento concedido em Cannes evidencia como a comunicação pode ter um papel a desempenhar na construção de políticas públicas ambientais. Ao transformar uma pauta técnica em um tema de interesse amplo, a campanha ampliou a visibilidade da conservação marinha e contribuiu para fortalecer uma mobilização que resultou em um dos maiores avanços da proteção dos oceanos no Brasil.

Com a criação do Parque Nacional do Albardão, a atuação da aliança SOS Oceano passa a concentrar esforços em outras regiões consideradas prioritárias para a conservação da biodiversidade marinha, entre elas Fernando de Noronha e a Foz do Amazonas. A ampliação da rede de áreas protegidas é apontada como um passo estratégico para que o Brasil avance na meta global de conservar 30% das áreas marinhas até 2030 e fortaleça a proteção dos ecossistemas que sustentam a biodiversidade, o clima e atividades econômicas ligadas ao oceano.

  • Mariana Dawas

    Estagiária de jornalismo. Formada em Relações Internacionais pela PUC-RS, estudante de Jornalismo na UFRGS e fotógrafa freelancer.

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