A crise global de perda de biodiversidade acaba de ganhar novos dados que reforçam a velocidade com que avança a sexta onda de extinção em massa. De acordo com o Relatório Planeta Vivo, divulgado nesta quinta (8), em todo o planeta, há uma queda média de 73% nas populações de vertebrados monitorados em 52 anos. Os números são ainda mais graves no contexto regional da América Latina e Caribe, onde a redução média chegou a 95% em cerca de meio século – a região com o pior índice. As principais ameaças são a perda e degradação dos ambientes naturais, seguida pela exploração insustentável, mudanças climáticas, poluição, espécies invasoras e doenças.
O relatório, elaborado pelo WWF, utiliza como base o Índice Planeta Vivo, produzido pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), que reúne 35.803 séries de dados sobre populações de 5.790 espécies de vertebrados monitoradas entre 1970 e 2022. Na América Latina e Caribe, onde seis dos sete países megadiversos das Américas, são monitoradas mais de 4 mil populações de 1.405 espécies.
No território latino, a conversão de pastagens, florestas e zonas úmidas, o represamento de rios, a superexploração de espécies e, mais do que em outras regiões, as mudanças climáticas e as doenças contribuíram para o declínio acentuado, explica o relatório. “Em alguns casos, os impulsionadores de mudança interagem, por exemplo, em anfíbios, quando os impactos das mudanças climáticas podem tornar as espécies mais vulneráveis a infecções”, detalha o texto.
“A perda de biodiversidade não acontece de forma isolada. Quando uma floresta é desmatada ou degradada, quando o fogo avança sobre áreas naturais ou uma seca extrema altera rios e outros ambientes, as espécies perdem alimento, abrigo e condições para se reproduzir. No Brasil, que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, proteger e recuperar os habitats naturais é fundamental para interromper o declínio das populações de animais silvestres”, afirma Helga Correa, especialista em Conservação do WWF-Brasil.
Os ambientes de água doce são os mais afetados, onde as populações registraram um declínio médio de 85%, seguido pelos ambientes terrestres (69%) e marinhos (56%).
Do outro lado da balança, ainda que não sejam suficientes para reverter a tendência do quadro geral, há populações que apresentam recuperação, um resultado de ações diretas de conservação, como a tartaruga-verde, atum-azul, e de tigres e elefantes no sul da África. O caso brasileiro do mico-leão-dourado é um dos bons exemplos citados pela WWF. O relatório destaca ainda os avanços recentes do Brasil no combate ao desmatamento em todo o país.
“Os exemplos de recuperação apresentados pelo relatório mostram que o declínio da natureza não é inevitável. O Brasil tem condições de reverter perdas, mas isso exige ações de conservação contínuas e em escala, com proteção e restauração dos ecossistemas e enfrentamento das causas da perda de biodiversidade”, afirma Helga.
A especialista reforça ainda a necessidade de reconhecer e fortalecer o papel de povos indígenas, comunidades tradicionais e locais. “Recuperar a biodiversidade significa gerar resultados concretos não apenas para as espécies e os ecossistemas, mas também para as pessoas que vivem nesses territórios e dependem deles”, completa.
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