A história vem desde 2008, depois de denúncias sobre o nível de radiação de algumas fontes de água para população, denunciados pelo Greenpeace. Atingiu seu ponto mais alto, até então, quando parte da população de Caetité, Bahia, foi para rua na noite de 15 de maio (um domingo) para impedir a chegada de nove carretas nas instalações das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A carga foi levada para outra cidade, foi criada uma comissão institucional para tentar garantir a transparência da operação.
Uma nota divulgada pela comissão mostra que os desencontros persistem. A nota garante que o Ibama multou as INB em R$ 600 mil, apresentou um relatório que aponta faltas nas instruções normativas de segurança, o sindicato denunciou que trabalhadores correram risco de serem expostas à radiação e pede a mudança do caráter provisório, da comissão, em permanente (“para dar continuidade ao processo de cobrança das medidas socioambientais reclamadas pela população de Caetité, Lagoa Real e região”, escreve a nota).
A assessoria de comunicação das INB nega: “as INB não recebeu autuação do Ibama nem as instruções normativas foram desrespeitadas”, responde a jornalista Helena Beltrão, por e-mail. O dirigente do Sindicato dos Mineradores de Brumado e Micro Região Lucas Mendonça rebate e mostra, no site do Ibama, o auto de infração por “fazer funcionar atividades consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes”.
Lucas também aponta, no site do Ibama, o relatório técnico assinado pelos analistas ambientais Adriano da Silva Bezerra e Amado P. C. Netto onde são descritos procedimentos ocupacionais. Lucas também afirma ter conhecimento, por denúncias feitas pelos próprios trabalhadores, de risco de exposição à radioatividade por faltas na segurança. “Eles podem negar, mas nós sabemos disso através dos próprios trabalhadores”, conta o dirigente sindical, que resume: “Dentro da empresa, o clima é de tensão”.
A mobilização dos oito integrantes da comissão provisória é tentar transformá-la em permanente, até mesmo para poder abrir um elo de ligação entre a mina de urânio, no interior da Bahia, e a população no entorno das INB.
{iarelatednews articleid=”25049″}
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
O cabo de guerra dos agrotóxicos que ameaça a saúde dos paranaenses
O estado do Paraná é um dos que mais consome pesticidas no Brasil, enquanto isso órgãos estaduais rebatem dados de pesquisadores sobre presença dos químicos na água →
Ofensiva ruralista na Câmara enfraquece proteção ambiental, diz Observatório do Clima
Nota técnica, OC aponta que pacote aprovado pela Câmara enfraquece fiscalização ambiental, reduz áreas protegidas e amplia riscos de desmatamento →
O risco ecológico silencioso do Vale do Ribeira
Transferir volumes crescentes de água do Vale do Ribeira não resolve a crise da Região Metropolitana de SP, apenas desloca a pressão ambiental para uma das regiões mais preservadas do país →


