O governo brasileiro rebateu nesta quinta-feira (15) as justificativas ambientais apresentadas pelos Estados Unidos para impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante coletiva de imprensa, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou como improcedentes as alegações de que o Brasil estaria ampliando o desmatamento e exportando madeira ilegal de forma a prejudicar empresas norte-americanas.
Segundo Capobianco, os indicadores ambientais mostram uma trajetória oposta à apontada pelo governo dos Estados Unidos. “É com indignação que o Ministério do Meio Ambiente vê todo o trabalho que o Brasil fez sendo distorcido para ser utilizado como justificativa de uma taxação ilegítima e irregular”, afirmou. O ministro destacou que o desmatamento na Amazônia foi reduzido em cerca de 50% nos últimos três anos e que, somente em junho deste ano, a queda foi de 38%, resultando no menor índice para o mês da última década.
Capobianco afirmou que, diante da redução consistente do desmatamento, o governo norte-americano passou a utilizar um novo argumento para justificar as tarifas. “Verificando que seria impossível seguir acusando o Brasil de aumentar o desmatamento de forma descontrolada, apareceram com uma nova informação, esta ainda mais falsa. Qual a nova informação? Que o Brasil seguia desmatando ilegalmente e inundando o mercado internacional com madeiras de origem ilegal, prejudicando a participação das empresas norte-americanas no mercado. Isso é absolutamente inverídico”, declarou.
De acordo com Capobianco, o Brasil possui participação reduzida no mercado internacional de madeira, que não chega a 1% do total do mercado, e exporta produtos de florestas tropicais, diferentes daqueles produzidos nos Estados Unidos, provenientes de florestas temperadas. “Nossa madeira não é a mesma produzida nos EUA. Não há concorrência direta entre esses mercados”, afirmou, além de lembrar que as regras para exportação de madeira são rígidas e praticamente toda madeira exportada é certificada.
Presente na coletiva, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforçou que as justificativas ambientais apresentadas pelos Estados Unidos não encontram respaldo nos dados oficiais. Segundo ele, desde 2022 o Brasil reduziu de forma significativa o desmatamento na Amazônia e no Cerrado, tornando infundadas as alegações utilizadas para embasar a medida tarifária. “Todas as justificativas apresentadas pelos norte-americanos para a aplicação das tarifas não têm lastro na realidade”, declarou.
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