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Quanto a Amazônia emite de gás carbônico por ano provocado pelo desmatamento e qual é a redução desses gases quando o desmatamento cai? O INPE-Emission Model ou INPE-EM, lançado hoje (10) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais vai responder a essas perguntas ao disponibilizar estimativas anuais de emissões de gases do efeito estufa (GEE) por mudanças de cobertura da terra no Brasil.
O novo modelo gera resultados a partir do cruzamento do mapa de biomassa na Amazônia e dados de desmatamento do PRODES, sistema baseado no monitoramento de satélites do próprio INPE, que calcula a perda de floresta primária a cada ano.
Os primeiros resultados divulgados pelo INPE dizem que houve uma queda de 57% nas emissões de CO2 advindas da queda do desmatamento desde 2005.
Com o INPE-EM, será possível quantificar os impactos da perda da floresta no balanço global de gases na atmosfera, assim como monitorar os efeitos de ações para reduzir as emissões. As emissões por mudanças de uso da terra, como desmatamento e queimadas, são a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil, colocando o país entre os principais poluidores do planeta. No plano nacional de combate às mudanças climáticas, aprovado pelo congresso nacional em outubro de 2009, pouco antes da Conferência da ONU em Copenhague, o Brasil se comprometeu em reduzir as emissões por desmatamento em 80% até 2020, contribuindo assim para a meta global de redução de 36% a 39%.
“Nesta versão inicial, o sistema INPE-EM provê estimativas anuais para toda a Amazônia brasileira e por estado na região até 2011. São apresentados ainda indicadores para acompanhamento das reduções de emissões após 2006, tomando como base a média de desmatamento 1996-2005”, explica a pesquisadora Ana Paula Aguiar.
Inicialmente, estão sendo produzidas estimativas de emissões de CO2 decorrentes do processo de desmatamento no bioma amazônico. Os dados também estão separados pelos estados da região, o que reflete a distribuição desigual do desmatamento.
O INPE-EM será um novo componente na estratégia de monitoramento da Amazônia. Além do PRODES, responsável pela taxa anual de desmatamento, o INPE possui, desde 2004, o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), que emite alertas de desmatamento para órgãos de fiscalização, como o Ibama. Mais recentemente, o instituto também tem trabalhado para firmar dois novos sistemas, o DEGRAD e o DETEX, sendo o primeiro dedicado a medir a degração de florestas e o segundo a monitorar a exploração sustentável de florestas públicas.
O INPE-EM foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) em parceria com a Coordenação de Observação da Terra (OBT) e o Centro Regional da Amazônia (CRA), ambos do INPE, além de instituições colaboradoras nacionais e internacionais, entre elas do Museu Paraense Emílio Goeldi, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), do Planetary Skin Institute e da NASA JPL.
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