Almir Cândido começou a fotografar em 1981, com as nostálgicas ‘Xeretas’ da Kodak. De fala calma e curiosidade inata pela fotografia, é daqueles fotógrafos amadores diferenciados. Há uma preocupação estética, um cuidado técnico em suas imagens. Tanto é que nove anos após sua primeira aquisição no mundo da fotografia, já começou a utilizar câmeras reflex 35 mm e mergulhar nos livros, para um primeiro aprendizado autodidata. “Na minha fase tentativa-e-erro, demorei muito a fazer as primeiras imagens razoáveis”, diz. “Foi então que decidi correr atrás de cursos, aí não parei mais; fiz cursos de revelação em preto-e-branco, retrato, still, iluminação em estúdio, médio e grande formato, etc”.
Difícil dizer se foram os cursos que aprimoraram a estética de seu olhar; questiono um pouco isto. Creio veementemente que a fotografia é um dom, assim como todas as profissões que envolvem senso artístico. Ao longo da história da fotografia, todos tiveram acesso à técnica e equipamentos, mas foram poucos Bressons, Gautherots ou Adams que eternizaram seus nomes. Talvez o fizeram justamente porque tinham a fotografia na alma, e não clicavam sob o filtro traiçoeiro do ego.
Conheci o trabalho de Almir no Grupo Luminous, um grupo de aficionados por fotografia que vem crescendo sob o olhar cuidadoso de Ourivaldo Barbosa. Na Europa e EUA este conceito de grupos de fotógrafos é algo já firmado, onde se discutem fotografia, troca-se informações e promovem saídas para fotografar. Tudo pelo amor à arte. Aqui no Brasil é um movimento que está nascendo, apesar de haver grupos já muito antigos. Gosto de participar destes encontros; creio na obrigação profissional de disponibilizar meu conhecimento a quem anseia aprender. O verdadeiro conhecimento é aquele sem fronteiras mentais, sem vaidades restritivas, onde se fecha um ciclo: o mestre ensina ao discípulo, que vira mestre. E o primeiro aprende com seu próprio ensinamento.
Proprietário de uma pequena editora, Almir cuida da parte administrativa e fotografa para ilustrar as matérias, desde pessoas até prédios e produtos de limpeza, dependendo da matéria que será publicada. “A natureza é meu tema preferido (insetos, pássaros, flores silvestres, paisagens). Meu trabalho não permite sair a ‘campo’ com freqüência, mas sempre consigo arrumar uma desculpa para escapar alguns dias e me embrenhar na natureza, onde esqueço do mundo e posso curtir o som dos grilos e o assovio do vento, e, claro, fotografar”.
Com o advento da fotografia digital contemporânea à valorização da vida ao ar livre, todo mundo ‘virou’ fotógrafo de natureza. Mas apesar de muitos conseguirem retratar com fidelidade o que vêem, efetivamente poucos conseguem trazer algo mais do que a documentação. A natureza por si só é fascinante, plástica. Não precisa de devaneios humanos para valorizar sua beleza. Mas quando alguém ousa brincar, a coisa pode dar certo. Foi o caso deste ensaio de Almir: suas fotos de aves em baixa velocidade trazem um quê de impressionismo. Não há necessidade de legendas nem visa o purismo informativo; inconscientemente ou não, o fotógrafo conseguiu mexer com o imagético do leitor. É tendo realizado isto, cumpriu sua missão.
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