Reportagens

Plantas ganham lista virtual completa

Instituições americana e inglesa lançam relação com todas as espécies conhecidas no planeta. Trabalho pode ajudar nos esforços de conservação

Felipe Lobo ·
29 de dezembro de 2010 · 16 anos atrás
Cientistas do Kew Gardens trabalham no herbário, que possui cerca de 8 milhões de amostras de plantas e fungos. Foto: divulgação Kew.

Em 1999, durante o XVI Congresso Internacional de Botânica, na cidade norte-americana de St. Louis, foi proposta pela primeira vez uma Estratégia Global para a Conservação das Plantas (GSPC, na sigla em inglês), aceita oficialmente em 2002 pela Convenção sobre Diversidade Biológica. Agora, no fim de 2010, o seu primeiro alvo acaba de ser atingido através de uma parceria entre Missouri Botanical Garden (MBG) e o Royal Botanic Gardens (Jardim Botânico Real, mais conhecido como Kew Gardens): uma relação de trabalho aberta catalogando todas as espécies de plantas conhecidas no planeta.

O anúncio das duas instituições apresenta a conclusão da Lista de Plantas (The Plant List), documento imprescindível para conhecer as espécies da flora terrestre e trabalhar em ações de conservação efetivas. “Este é um grande avanço. Ao capturar o conhecimento taxonômico em um banco de dados, os computadores podem ajudar na tarefa de organizar os milhões de registros de nomes de plantas reunidos nas últimas duas décadas pelo Tropico, Lista Mundial de Famílias de Plantas Selecionadas e outras fontes usadas para fazer este produto (…), analisa Chuck Miller, Vice Presidente de Sistemas de Informação do Missouri Botanical Garden.

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Ao todo, a listagem contempla 1 milhão e 250 mil nomes de espécies, sendo que 29% (300 mil) são de definições comumente aceitas e 46% (480 mil) são sinônimos daquelas. Os outros 260 nomes foram encaixadaos na categoria “indefinidos”, pois ainda não há consenso se as evidências indicam nomes “Aceitáveis” ou apenas equivalentes aos que já existem. A expectativa é que estes números cresçam com o passar do tempo em função da atualização dos dados e novos estudos aprofundados.

Um dos principais benefícios do trabalho será a reunião de diferentes nomes científicos usados para a mesma espécie de planta ao redor do globo. Deste modo, abre-se a possibilidade de que toda a comunidade conservacionista no planeta utilize uma mesma comunicação efetiva nos projetos de auxílio à sobrevivência dos diferentes tipos de flora – hoje, as diferenças nas nomenclaturas causam desperdício de recursos financeiros e podem levar a um ineficiente caos.

Veja vídeo com pesquisadores do Kew Gardens e do Jardim Botânico de Missouri (em inglês)
  • Felipe Lobo

    Sócio da Na Boca do Lobo, especialista em comunicação, sustentabilidade e mudanças climáticas, e criador da exposição O Dia Seguinte →

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