A pesquisadora alemã e referência no estudo de tamanduás-bandeiras, Lydia Theresia Möcklinghoff, foi uma das vítimas da queda de um avião, na última sexta-feira (3), em Campo Grande (MS). A zoóloga trabalhava há mais de 20 anos no Pantanal sul-matogrossense. O piloto, Henrique Martin, também morreu no acidente. A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) investigam as causas da queda, que conforme os destroços ocorreu de forma quase vertical e em alta velocidade próximo ao Aeroporto Santa Maria, minutos depois da decolagem.
Na manhã do acidente, Campo Grande apresentava baixa visibilidade, com neblina e garoa. Apesar disso, especialistas ressaltam que ainda não é possível associar o clima ao motivo da queda.
Lydia Möcklinghoff, nascida em 1981, era uma zoóloga e ecóloga tropical que desde o início dos anos 2000 atuava no Pantanal brasileiro, com o monitoramento e pesquisa de longo prazo dos mamíferos terrestres. Seu foco era o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), espécie classificada como Vulnerável ao risco de extinção no Brasil. Reconhecida internacionalmente por seu trabalho, Lydia estudava o comportamento, uso do habitat, conservação e ameaças à espécie.
A pesquisadora integrava o grupo de pesquisa em Ecologia Tropical do Museum Alexander Koenig, Bonn, na Alemanha. A zoóloga também atuava como jornalista e investia em divulgação científica. Escreveu livros em alemão sobre os tamanduás e produzia conteúdos diversos sobre biodiversidade, com destaque para o Pantanal.
Presidente do Instituto Tamanduá, Flávia Miranda destacou a importância do trabalho de Lydia, que foi colaboradora do instituto, na coleta de informações sobre os tamanduás-bandeiras. “É uma pesquisadora de nível internacional, com grandes publicações, com um amor incrível pelo Pantanal e que vai fazer muita falta para nós”, afirmou Flávia em vídeo nas redes.
Em nota, a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ), sediada em Campo Grande, lamentou o falecimento da pesquisadora. “Seu principal foco de pesquisa era o tamanduá-bandeira, mas Lydia atuava de forma abrangente como jornalista científica e divulgadora da conservação de espécies”, destaca o texto.
A SOS Pantanal também manifestou seu pesar pela morte da pesquisadora e do piloto, acrescentando ainda que Henrique Martin, era experiente em aviação e “tinha uma relação próxima com o Pantanal através de seus voos na região”.
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