![]() |
Acusada de doar terreno contaminado com substâncias químicas para a construção de casas para funcionários, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) foi multada em 35 milhões de reais pela Secretaria de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. O valor da multa foi anunciado pelo secretário Carlos Minc, em entrevista coletiva realizada na tarde desta segunda-feira (08).
A empresa tem até 7 dias para analisar a condição de saúde dos 750 moradores do Condomínio Volta Grande IV, em Volta Redonda. Além de pagar pelo custo de possíveis tratamentos médicos, em caso de doença dos moradores, a CSN tem prazo de 30 dias para arcar com a descontaminação do solo e da água. A empresa também será notificada sobre o dever de apresentar em 15 dias um plano de realocação das famílias.
“Caso apareça alguma pessoa contaminada, a multa deve chegar a R$ 50 milhões, que é o máximo previsto pela legislação estadual”, afirmou Minc. “O drama maior é o drama humano. Essas famílias, além de terem suas condições de saúde avaliadas e o tratamento devido quando for o caso, também deverão ter indenizações fixadas pela Justiça”.
Em 1988, a CSN doou o local para o Sindicato dos Metalúrgicos. Anteriormente, a área era usada como depósito de lixo da siderúrgica, onde eram colocados toneladas de resíduos industriais.
Amostras do solo revelaram a presença de pelo menos 20 substâncias tóxicas ou cancerígenas no local em concentrações até 90 vezes acima ao valor máximo permitido, caso da bifenila policlorada, hoje proibida no Brasil. A contaminação também envolveu substâncias como antimônio, bário, cádmio, chumbo, cromo, níquel e zinco e benzeno.
Na quinta-feira da semana passada (04), Carlos Minc pediu a retirada imediata dos moradores no terreno, chegando a mencionar que as famílias vivem em cima de um “coquetel de lixo químico”.
De acordo com o laudo divulgado pela Secretaria de Ambiente, pelo menos 90% das casas do Condomínio Volta Grande IV fizeram escavações nos seus terrenos. Por desconhecer a situação, 13% das famílias plantaram árvores frutíferas e hortaliças no quintal, que podem estar contaminadas.
Suspeita antiga
Em 2004, houve suspeita de vazamento de resíduos da CSN em uma área próxima ao Condomínio Volta Grande VI, onde a siderúrgica descarregava resíduos antes de armazená-los.
A investigação sobre a contaminação do terreno foi iniciada pelo Ministério Público Federal em Volta Redonda (RJ), que moveu em 2012 ação civil pública contra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por danos ao meio ambiente e à saúde da população. A empresa Nickol do Brasil Ltda elaborou um estudo técnico, que foi complementado por outros estudos e validado por técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Segundo o Inea, a validação terminou em março.
Como a ação civil pública já tramita na 3ª Vara Cível de Volta Redonda, outras punições, como multas e prisão, podem ser determinadas pela Justiça com base na lei de crimes ambientais.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Carta de Curitiba pede ação urgente para proteger unidades de conservação no Brasil
Aprovado por aclamação pelos participantes da 1ª Conferência Nacional de Unidades de Conservação para a Biodiversidade, documento pede criação e implementação de UCs de proteção integral →
Levantamento revela redução alarmante de fêmeas de onça-pintada na Amazônia
Mesmo em um dos principais refúgios para o felino no país, a densidade de fêmeas de onça-pintada teve uma misteriosa queda de 77% em 17 anos, alerta estudo →
Cemaden mantém alerta de risco muito alto para inundações no Rio Grande do Sul
Com 143 municípios afetados pelas chuvas e cerca de 460 pessoas desabrigadas, estado segue sob risco de novas cheias nas bacias dos rios Taquari e Caí →


