Notícias

Alarme falso

Notícia sobre tubarão sem um pouquinho de carga dramática não tem graça. No dia 7 de abril, jornais do Rio exibiram fotos de um amontoado de 16 tubarões capturados por uma traineira nos mares de Búzios. A informação dava conta de que eles eram da espécie cabeça-chata, "uma das mais agressivas", e não descartava o "risco de se aproximarem das praias". Antes que os banhistas de Búzios saiam correndo do mar aos gritos, o biólogo marinho Marcelo Szpilman, diretor do Instituto Ecológico Aqualung e do Projeto Tubarões no Brasil, vem a público desfazer o mal entendido. Em primeiro lugar, os tubarões não eram cabeças-chatas, e sim galhas-pretas (Carcharhinus brevipinna), espécie não agressiva. Marcelo faz questão de lembrar também que nos últimos 84 anos só houve 9 ataques de tubarão no estado do Rio, e que as verdadeiras vítimas são eles. "Centenas de tubarões de diversas espécies são capturados todos os dias em nosso litoral". E isso não é bom. "Capturar uma quantidade muito grande de tubarões em um dia e em uma mesma área torna essa pesca insustentável e pode-se criar um forte desequilíbrio na cadeia alimentar da região", afirma. Como a exportação das barbatanas de tubarão é negócio valioso, o especialista acredita que o alarmismo quanto a risco de ataques esconde a intenção de "obter o aval da população local para essa ‘matança dos comedores de homens’".

Lorenzo Aldé ·
10 de maio de 2005 · 21 anos atrás
  • Lorenzo Aldé

    Jornalista, escritor, editor e educador, atua especialmente no terceiro setor, nas áreas de educação, comunicação, arte e cultura.

Leia também

Colunas
13 de fevereiro de 2026

Perigos explícitos e dissimulados da má política ambiental do Brasil

pressões corporativas frequentemente distorcem processos democráticos, transformando interesses privados em decisões públicas formalmente legitimadas

Notícias
13 de fevereiro de 2026

Transparência falha: 40% dos dados ambientais não estavam acessíveis em 2025

Das informações ambientais disponibilizadas, 38% estavam em formato inadequado e 62% desatualizadas, mostra estudo do Observatório do Código Florestal e ICV

Análises
13 de fevereiro de 2026

O Carnaval é termômetro para medir nossos avanços no enfrentamento da crise climática

Os impactos da crise climática já são um problema do presente. Medidas políticas eficazes de prevenção aos eventos climáticos extremos não podem ser improvisadas às vésperas das festividades

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.