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Transposição e extinção

Um impacto ambiental não previsto pelo projeto de transposição do rio São Francisco pode obrigar o Ibama a rever a licença da obra. Segundo o professor Wilson Costa, da UFRJ, as alterações do regime hídrico na Caatinga podem levar à extinção de 11 das 17 espécies de peixes anuais registradas na região. Para sobreviver, os peixes anuais dependem de áreas que só ficam alagadas durante o período de chuvas. Eles morrem mas seus ovos só resistem em terra seca, eclodindo quando volta a chover. Costa é o maior especialista do mundo em peixes anuais, e foi responsável pela descoberta de 15 espécies no Nordeste, todas a partir dos anos 90. Mexer na vazão do São Francisco pode alterar a situação das várzeas do rio, único habitat de 11 espécies. Como o estudo de impacto ambiental do projeto não menciona esta ameaça, os opositores da transposição ganham um forte argumento para contestar a liberação da obra.

Lorenzo Aldé ·
29 de junho de 2005 · 21 anos atrás
  • Lorenzo Aldé

    Jornalista, escritor, editor e educador, atua especialmente no terceiro setor, nas áreas de educação, comunicação, arte e cultura.

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