Análises

Experimentando a educação ambiental na Austrália

O EcoCentro da Universidade de Griffith, em South-East Queensland, une uma sede sustentável, pesquisa e interação com a comunidade.

Bruno Maia ·
31 de maio de 2013 · 8 anos atrás

Após anos trabalhando na área de meio ambiente, resolvi buscar um mestrado na área com ênfase em educação, que me parece a base para a solução das questões ambientais. Na Austrália, encontrei a Griffith University, que possui um departamento de Meio Ambiente criado nos anos 70 e um mestrado na área, com especialização em educação para a sustentabilidade. Esta Universidade também criou o EcoCentro, espaço de troca de ideias e estímulo à ação para pessoas de todas as idades e com conhecimento em diferentes áreas.

Para reduzir gastos, tempo e emissões com deslocamento na Austrália, resolvi morar no campus da Universidade, situado em um parque estadual, o Toohey Forest Park. Consegui também um trabalho no próprio Griffith University EcoCentre, nome oficial do centro. O espaço foi criado em 2001 a partir de uma parceria entre universidade, governo e empresas privadas. A construção da sua sede utilizou técnicas verdes para minimizar o impacto da obra e otimizar a eficiência na utilização de recursos, como água e energia.

O mais interessante do EcoCentro é a reunião de pessoas de todas as idades para entender, discutir e agir diante das questões ambientais. Vi crianças de 3 anos a senhores de 90 frequentando o local. Escolas da região levam semanalmente os alunos ao espaço para aulas teóricas e práticas com a equipe do Toohey Forest Environmental Education Centre (Centro de Educação Ambiental Toohey Forest). Um dos programas interessantes que acompanhei foi o River Rangers, em que as crianças se tornam pequenos cientistas para cuidar da questão da água, na Austrália, um recurso escasso. A aula prática é realizada no pequeno rio que corre pela floresta na área do parque.

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas
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Como estudante, tive a chance de participar de debates com os pesquisadores da universidade, entre eles o apresentado por uma estudiosa de coalas, espécie símbolo da Austrália, mas que sofre ameaças e cuja população é um fração do que já foi.

A comunidade do entorno do Toohey Forest Park e de bairros próximos também é convidada a participar das atividades. Moradores, inclusive aposentados e profissionais comparecem para opinar, discutir e propor ações concretas. Cursos são oferecidos gratuitamente, como o que participei relacionado à construção e certificação de edifícios sustentáveis. Para se financiar, o EcoCentro também aluga o espaço para reuniões, eventos e congressos, principalmente ligados a temas ambientais. Por esse espaço privilegiado, dentro da floresta, já passaram 150 mil participantes de eventos diversos.

Em 2011 trabalhei como consultor do Ecocentro, produzindo o livro de comemoração dos seus 10 anos chamado “Our Journey towards Sustainablity” (Nossa jornada para a sustentabilidade). Passei meses fotografando o parque e as atividades no local para reunir as imagens necessárias. O mais recente projeto do Ecocentro é a implantação de painéis fotovoltaicos com tecnologias e marcas diferentes, para medir a eficiência de cada uma. Com isso, além do Ecocentro suprir suas necessidades de energia, ainda envia o excedente para a rede elétrica.

O EcoCentro e seus projetos poderiam ser reproduzidos no Brasil, pois as universidades são espaços de produção de conhecimento e troca de ideias e reúnem professores e alunos com interesses variados. O EcoCentro aproveita essa riqueza e é aberto ao público de diferentes formações e faixas etárias. A mistura contribui para a solução dos conflitos socioambientais e ajuda a encontrar o caminho da sustentabilidade.

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  • Bruno Maia

    Bruno Maia é mestre em Meio Ambiente com especialização em Educação para a Sustentabilidade pela Griffith University e gradua...

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