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A Maldição do Óleo

Acidentes com petróleo e tensão geopolítica são sinais de alerta e põem os preços do petróleo em patamares tão altos que podem incentivar investimentos em fontes alternativas.

10 de agosto de 2006 · 20 anos atrás
  • Sérgio Abranches

    Mestre em Sociologia pela UnB e PhD em Ciência Política pela Universidade de Cornell →

Guerra é sempre um ato de violência em massa. Vitima mais as crianças e os jovens. O custo humano de uma guerra supera largamente os benefícios materiais ou político-ideológicos, exceto para os que estão envolvidos nela. Por isso, geralmente, guerras resultam de conflitos que são considerados complexos e intratáveis. As partes em litígio põem seus valores simbólicos, ideológicos, religiosos, étnicos, acima dos valores humanos ou patrimoniais.

O bombardeio de Israel no Líbano e a retaliação do Hizbolah ilustram bem isso. É certo que nenhum dos lados alcançará qualquer objetivo concreto. Israel diz que pretende dissuadir o Líbano de dar cobertura ao Hizbolah e impedir que essa organização continue ameaçando seus cidadãos e seus territórios. Mas a violência dos ataques não fará mais que aumentar o ódio e os militantes das organizações que combatem Israel no mundo árabe. O Hizbolah quer acabar com o estado de Israel. É óbvio que não conseguirá. Aumentará o ódio e as tropas de Israel contra os palestinos e outros povos árabes e fortalecerá o estado-quartel em Israel.

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Efeito colateral

Portanto, outros efeitos colaterais dessa – e de qualquer guerra – não podem ser considerados mais importantes ou da mesma importância que as perdas humanas e o aumento dos ódios e dos conflitos intratáveis. Mas isso não anula sua existência, nem sua gravidade. O desastre econômico libanês representado pela destruição de infra-estrutura recém-recuperada da devastação da guerra civil, pela fuga de capitais e investidores, repercutirá por mais de uma década no país. É certo que as perdas humanas repercutirão para sempre, nos corações e mentes dos libaneses e israelenses, e são irrecuperáveis. Infra-estrutura ainda se reconstrói, embora com muito esforço e dor.

Que sirva de alerta e lição aqui no Brasil, onde os governos e parlamentares do Espírito Santo e da Bahia estão pressionado o governo federal para anular a decisão do Ibama que impõe restrições à exploração de petróleo nas áreas críticas da zona de amortecimento do Parque Nacional de Abrolhos. Um desastre ali, representaria uma tragédia inaceitável para a biodiversidade. No EUA, várias autoridades e políticos da região do Alaska estão dizendo que um novo “Exxon Valdez” seria intolerável. Pois é, aqui também.

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