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Pedalando para Conservar

A primeira pedalada numa bicicleta de montanha você nunca esquece. Muito menos a chance de usar todos seus recursos para participar de uma prova pelos campos do Monte Quênia.

15 de março de 2007 · 19 anos atrás

Meu primeiro contato com uma bicicleta de montanha, ou mountain bike como preferem os que não nutrem muito apreço pela língua portuguesa, foi tardio. Já contava mais de 25 anos e muitos milhares de quilômetros sobre duas rodas. Comecei a pedalar muito cedo, indo para a escola em minha monareta. Adolescente, adotei a bicicleta como meio de transporte para a praia, o curso de inglês, a universidade, as casas dos amigos. Com 16 anos, junto a dois companheiros, fui do Rio a Santos cavalgando uma Calói 10. Com vinte e poucos zanzei pela Holanda e Alemanha em viagens curtas sobre bicicletas alugadas. Apesar de montanhista convicto, sempre resisti a trocar a minha magrela estradeira por uma bicicleta de todo-terreno.

Quando o fiz, foi movimento sem volta. Certa tarde, Flamínio, amigo de longa data, chegou em minha casa pedalando. Ficou, tomamos um pifão e ele voltou para seu apartamento de táxi. Na manhã seguinte, resolvi experimentar sua bicicleta de montanha. Galguei seus pedais e dei uma volta no quarteirão. Pequeno percurso, coisa de três minutos e meio. Voltei em casa, guardei a bicicleta do amigo, peguei a carteira e sai para comprar uma para mim. Nunca mais deixei de pedalar as maravilhosas bicicletas de todo- terreno.

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Desde então, percorri trilhas argentinas, chilenas, peruanas, norte americanas, australianas, neo-zelandezas (vide minha coluna Nova Zelândia de bicicleta, Brasil de velocípede, publicada aqui em O Eco), sul-africanas e de diversos estados do Brasil: montado em uma bicicleta, cruzei as picadas da Bocaina, do Cipó, da Chapada Diamantina, do Planalto Central e da Ilha de Marajó, apenas para mencionar algumas. Em Nairóbi, onde vivo hoje, duas a três vezes por semana pedalo pelos caminhos das Florestas de Karura e Sigiria, ambas próximas de casa e repletas de fauna e vegetação multi-colorida.

Mais que tudo, entretanto, competir na 10to4 trouxe a satisfação de saber estar contribuindo para a preservação do Monte Quênia. Dos US$ 30 mil arrecadados na edição 2007 da corrida, US$ 3.600 serão aplicados em cinco escolas da região, outros US$ 3.600 vão ser investidos em ações de fiscalização contra a caça. O resto será gasto com a construção de cercas e a aquisição de um carro 4×4 para ser utilizado em atividades de manejo da região. Além disso, a corrida resultou em uma maior consciência dos quase duzentos ciclistas e cerca de 300 familiares e amigos para os problemas ambientais da região. Não é pouco.

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