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O Eco+ | Edição #286 | abril/2026

O Eco+ | Edição #286 | abril/2026

5 de abril de 2026

Em Silves (AM), onde o rio funciona como estrada, mercado e conexão essencial para a vida cotidiana, a redução extrema do nível das águas tem transformado a rotina da população. Embora a vazante seja um fenômeno natural esperado todos os anos, as secas de 2023 e 2024 romperam com o padrão histórico, atingindo níveis sem precedentes e afetando cerca de 628 mil pessoas em todo o Amazonas, com todos os municípios em situação de emergência. É esse cenário o tema da reportagem da bolsista Amaitê Santos, que expôs que o colapso ambiental comprometeu não apenas rios e florestas, mas também o abastecimento, a mobilidade e a subsistência dos moradores de Silves. “As bananas amadureciam antes mesmo de chegar à feira”, conta a feirante Márcia Andreia da Silva Grana Fernandes. O trajeto, que em condições normais levaria cerca de uma hora, passou a durar até seis. “Nem sempre era possível manter o mesmo ritmo de vendas”, completa a moradora da comunidade Divino Espírito Santo do Paranã Pai Tomás. 

Os desafios da juventude nas comunidades ribeirinhas na Amazônia foi o tema da reportagem da bolsista Natália Dias Viana, que conhece a realidade bem de perto. Sem escola de ensino médio nas comunidades do Rio Arapiuns, próximo a Santarém, no Pará, os jovens são obrigados a fazer um percurso que dura até seis horas ou se mudarem para a cidade caso desejem seguir seus estudos. A falta de opção de trabalho também dificulta que os jovens permaneçam onde nasceram. “Viver na comunidade hoje, como jovem, é viver entre o questionamento de ficar ou sair”, afirma a jovem Eliza Amorin, moradora da comunidade de Anã e estudante de Turismo. Iniciativas como o cooperativismo, o turismo comunitário e novos projetos socioprodutivos tentam contribuir para fortalecer os vínculos da juventude com o território.

As duas reportagens publicadas esta semana são resultado do Programa de Bolsistas da Amazônia Legal, formados pelo curso Introdução ao Jornalismo Ambiental, uma parceria entre ((o))eco e Imazon.

O crime organizado brasileiro hoje se estrutura, se financia e se expande na Amazônia brasileira. É o que demonstra um novo estudo do projeto Amazônia 2030. A pesquisa, entitulada “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira”, analisa a evolução dos homicídios e sua relação com diferentes atividades ilegais ao longo do tempo. O trabalho é de Leila Pereira e Rafael Pucci, ambos do departamento de Economia da USP; e Rodrigo Soares, da Cátedra Fundação Lemann no Insper e foi tema da coluna de Alexandre Mansur e Gustavo Nascimento esta semana em ((o))eco. “Os pesquisadores relatam como, nas últimas duas décadas, a violência nos pequenos municípios da Amazônia Legal seguiu um caminho distinto do restante do país. Entre 1999 e 2023, a região acumulou 18.755 homicídios a mais do que teria registrado se tivesse acompanhado a trajetória dos demais municípios de pequeno porte”.


Boa leitura!

Redação ((o))eco

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Fim da proteção. Os lobos-cinzentos tiveram um retorno difícil às Montanhas Rochosas dos Norte dos Estados Unidos e estão lutando para voltar ao Sudoeste. Mas uma legislação em tramitação no Congresso impulsionada por fake news e mitos, em vez de ciência, ameaça acabar com a recuperação dos lobos nos EUA. [E360Yale]

Sem praia para voltar. Um novo estudo analisa como os locais de nidificação de tartarugas marinhas podem ser afetados pela elevação do nível do mar e pela erosão das praias arenosas. Isto se torna particularmente trágico quando se leva em conta que a baixa taxa de crescimento populacional das tartarugas marinhas as tornam particularmente vulneráveis ​​a mudanças rápidas em seu ambiente. [Eos]

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O Menino que engoliu o Sol | Animação

O SescTV exibe, em abril, novos episódios da série de animação O Menino que Engoliu o Sol, dirigida por Patrícia Alves Dias. Produzida em 2020 e composta por 13 capítulos de sete minutos cada, a obra acompanha a infância do menino Manoel em meio às paisagens do Pantanal. Inspirada no livro homônimo de Ricardo Pieretti Câmara, no universo poético de Manoel de Barros e no mito do fogo do povo indígena Guató, a série constrói uma narrativa sobre o crescimento e a descoberta do mundo. Com narração de Ney Matogrosso, foi a única produção brasileira finalista do Japan Prize 2020, tradicional premiação internacional dedicada a conteúdos educativos. Exibição na TV e online ao vivo: sábados, às 10h. Reapresentações: domingos, 17h30; segundas, 15h; terças, 9h; quintas, 18h15.

SescTV

 

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O Monstro de Ferro Contra o Sul Da Bahia | Cinema pedrada

O paraíso intocado do litoral sul da Bahia, a apenas 15 km da histórica Ilhéus, está na mira de um gigante insaciável: um novo porto bilionário para escoamento de minério de ferro. “O Monstro de Ferro Contra o Sul da Bahia” mergulha nas profundezas de uma investigação urgente, expondo a devastadora engrenagem da destruição ambiental que avança sobre a Mata Atlântica e os modos de vida tradicionais da região.

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Fábulas Verdes | Feito

A produtora e estúdio criativo Feito lança Fábulas Verdes, uma coleção de livros infantis que ressignifica contos clássicos ao incorporar temas ligados à preservação ambiental e à emergência climática, com o objetivo de dialogar com as novas gerações; idealizado por Vinícius Malinoski e Guilherme Rech, o projeto substitui vilões tradicionais por conflitos contemporâneos, como queimadas, poluição e exploração predatória,  em narrativas que estimulam reflexões sobre responsabilidade coletiva.

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