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O Eco+ | Edição #297 | junho/2026

O Eco+ | Edição #297 | junho/2026

21 de junho de 2026


Uma das “boiadas” aprovadas no chamado Pacote da Destruição, que avançou com apoio da bancada ruralista e do então governo Bolsonaro, a nova lei dos agrotóxicos (14.785/23) – também conhecida como Pacote do Veneno – representa o domínio do agro sobre o controle desses produtos no país. Nesse contexto, o Brasil, maior consumidor de agrotóxicos do mundo, continua sendo inundado pelos produtos, agora com menos mecanismos de controle. É o que revela a reportagem de Gabriel Tussini, que se debruçou sobre as novas regras. A nova lei é alvo de ação de inconstitucionalidade no Supremo. Mas enquanto o Judiciário não se debruça sobre o tema, a regra segue em vigor e ela dá amplos poderes para o Ministério da Agricultura (MAPA), que passou a ser o único responsável pela concessão de novos registros de agrotóxicos, com a análise de riscos por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ibama passando a ser não-vinculante – ou seja, sem o poder de vetar o registro. 

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Outro projeto de lei que estava dentro do Pacotão da Destruição é o das APPs Urbanas, aprovado em 2021, o PL transferiu para os municípios o poder de determinar as faixas de proteção das áreas de preservação permanente dos rios na área urbana. Como resultado, segundo levantamento feito Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de Santa Catarina (CME/MPSC) e divulgado com exclusividade em ((o))eco, está que 70% dos municípios catarinenses criaram leis que fragilizam essas áreas. Segundo reportagem de Elizabeth Oliveira, o estado tem leis aprovadas que reduzem a proteção de APPs em 212 dos seus 295 municípios (cerca de 70%). Com isso, ficam mais vulneráveis as beiras de rios, nascentes, além de outras áreas fundamentais à proteção das fontes de água, da biodiversidade e do solo. Segundo especialistas, a medida favorece principalmente à especulação imobiliária. Ação Direta de Inconstitucionalidade espera por julgamento do STF há 4 anos. 

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Enquanto muitos investiam em viagens ou bens de consumo, Germano e Elza Woehl decidiram investir na conservação da natureza. Ao longo de duas décadas, o casal economizou recursos para comprar, pouco a pouco, áreas de Mata Atlântica no interior de Santa Catarina. Hoje, são cerca de mil hectares protegidos em 14 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), distribuídas entre Guaramirim e Itaiópolis. O trabalho, reconhecido recentemente pelo Prêmio Miguel Milano de Conservação da Natureza, também inclui ações de educação ambiental realizadas pelo Instituto Rã-Bugio, fundado pelo casal em 2003. Entre os projetos desenvolvidos, estudantes ajudaram a monitorar anfíbios e a coletar dados científicos sobre populações de sapos na região. A história de amor dos Woehl, a Mata Atlântica e os anfíbios foi tema de reportagem da repórter especial Duda Menegassi esta semana.

Boa leitura!

Redação ((o))eco

· Destaques ·

Pacote do Veneno afrouxou controle sobre agrotóxicos no Brasil

A nova lei de agrotóxicos, aprovada no fim de 2023, retirou possibilidade de Ibama e Anvisa barrarem registros de agrotóxicos, com decisões concentradas no Ministério da Agricultura

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Cerca de 70% dos municípios catarinenses criaram leis que fragilizam APPs urbanas

Especialistas defendem que a medida é inconstitucional e favorece principalmente à especulação imobiliária. Ação Direta de Inconstitucionalidade espera por julgamento do STF há 4 anos

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Os Woehl, a Mata Atlântica e os anfíbios – uma história de amor

Germano e Elza, premiados por seu trabalho em prol da conservação, dedicam sua vida e suas economias para proteger as florestas remanescentes do interior de Santa Catarina

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· Conservação no Mundo ·

Drill, baby, drill. No Colorado, uma proposta do governo Trump para abrir 156 mil acres de terras públicas à exploração de petróleo e gás reacende o debate sobre os limites entre desenvolvimento econômico e conservação. A medida pode afetar corredores de migração da maior manada de alces dos Estados Unidos, espécies ameaçadas e atividades ligadas ao turismo e à caça, mostrando como decisões sobre uso da terra continuam a colocar em disputa energia, biodiversidade e economias locais. Aproximadamente dois terços da área total de 156.000 acres em concessão ficam ao sul do Monumento Nacional dos Dinossauros, um parque remoto que está entre os mais de 40 locais certificados como Patrimônio Internacional de Céu Escuro nos Estados Unidos — áreas com céus noturnos excepcionalmente escuros. [Grits]

Cidades. Quase metade de todos os locais de parada usados ​​por aves migratórias na América do Norte estão localizados em áreas urbanas. O ornitólogo Miguel Jimenez era candidato a doutorado na Universidade Estadual do Colorado quando liderou o estudo como parte de sua dissertação. O trabalho focou no estudo da migração de aves usando 143 estações de radar meteorológico para identificar pontos de parada das aves em todo o território continental dos Estados Unidos durante as migrações de primavera e outono, e então calcularam quantos desses locais estavam dentro de áreas urbanas. “Para ser totalmente honesto, inicialmente realizei essa análise esperando descobrir que a maior parte das paradas não acontecia em cidades”, diz Jimenez. [The Revelator]

· Dicas Culturais ·

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O Rio Grinalda | Isa Colli

O Rio Grinalda é uma aventura infantil que ensina a importância da reciclagem, da preservação ambiental e do cuidado com a natureza. Ao lado de personagens do mundo animal, os leitores descobrem como a amizade, a cooperação e as atitudes do dia a dia podem ajudar a proteger o meio ambiente.

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RUA – Resiliência Urbana em Ação : estratégias para o gerenciamento de riscos associados a eventos climáticos extremos

A obra “RUA – Resiliência Urbana em Ação” apresenta o projeto homônimo dedicado a fortalecer a capacidade das cidades brasileiras de enfrentar eventos climáticos extremos por meio de governança colaborativa, ciência aplicada e participação social. Estruturada segundo as cinco fases do Marco de Sendai — resposta, recuperação, reabilitação, reconstrução e prevenção —, a publicação descreve encontros técnicos interinstitucionais baseados em metodologias participativas e análise de dados. O caso da tragédia de São Sebastião (2023) é utilizado como estudo empírico central para mapear fragilidades, boas práticas e fluxos de atuação.

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Cinzas do Futuro | Paulo Alexandre Negreiros de Andrade 

Cinzas do Futuro acompanha a jornada de sobreviventes que deixam um planeta marcado pelo colapso ambiental e seguem em busca de um novo lar. Ao longo da narrativa, temas como mudanças climáticas, desigualdade social, inteligência artificial, conflitos e sobrevivência se entrelaçam à trajetória de Kael, Mina e seus aliados, que enfrentam uma força tecnologicamente superior enquanto buscam compreender o futuro da humanidade.

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