Notícias

Carta – Disputa no Pará

De Wagner Kronbauer Presidente da UNIFLORCaro Gustavo,Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pela reportagem Disputa no Pará, pois você coloca...

Redação ((o))eco ·
16 de novembro de 2006 · 20 anos atrás

De Wagner Kronbauer
Presidente da UNIFLOR

Caro Gustavo,

Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pela reportagem Disputa no Pará, pois você coloca diferentes pontos de vista e deixa ao leitor as conclusões. Para ajudar no debate desse tema colocamos abaixo nossos argumentos, e se possível gostaríamos que fossem “publicados”.

O Argumento de que a criação de uma FLOTA/Flona, qualquer que seja, vá beneficiar madeireiros instalados ilegalmente na região é completamente descabido, já que a criação de Flotas ou Flonas obriga o poder público a só permitir o uso econômico dessas áreas após um processo de licitação que é aberto e com critérios bastante rígidos!

Além disso, o Governo tem que antes de qualquer coisa fazer o Plano de Manejo da área e definir o potencial de uso (preservação, uso sustentável, destinação as comunidades, ecoturismo…) de cada parcela da área, contemplando antes de mais nada as comunidades que lá vivem. Sendo assim também o argumento de que as comunidades serão prejudicadas é falso, pois elas serão atendidas de acordo com suas reais necessidades, baseadas em estudos e consultas públicas, e não simplesmente com delimitação de uma imensa área escolhida através de imagens de satélite, como geralmente acontece com a criação de Resex, pelo menos aqui no Pará!

Outro ponto que falta nesse debate é a comparação das vantagens entre Flonas/Flotas x Resex. A única razão para se criar uma resex, teoricamente, seria a de proteger as comunidades locais extrativistas, já que do ponto de vista ambiental o melhor são reservas mais restritivas, e do ponto de vista da promoção do desenvolvimento sustentável e da justiça social nas áreas florestais da Amazônia, o melhor é sem dúvida a criação de Flonas/Flotas.

Acontece que em geral as Resex têm sido criadas às pressas, sem os estudos necessários e em tamanho muitas vezes superior às reais necessidades das comunidades extratvistas. Causando problemas econômicos imediatos e futuros, já que veta qualquer possibilidade de desenvolvimento de atividades econômicas, mesmo que estudos venham a indicar a viabilidade dessas! Também causa injustiça social, pois só beneficia um pequeno percentual da população do(s) município(s) envolvidos, e mesmo estes grandes “beneficiados”, parecem não saber que da Resex a ser criada eles só poderão tirar o necessário para sua subsistência! Por isso essas comunidades, que devem sim ser ajudadas, defendem com unhas e dentes a criação de Resex, acreditando que poderão fazer uso, como acharem melhor e não apenas para subsistência, de todos os recursos naturais da área, inclusive vender a madeira e usar o solo para agricultura.

A criação de Flonas/Flotas é mais indicada, na maioria dos casos, pois dá ao poder público a possibilidade futura de promover o desenvolvimento sustentável promovendo diferentes formas de uso da(s) área(s), mas mantêm a obrigação de contemplar as comunidades que lá vivem antes de qualquer outra destinação. Tudo deve ser feito baseado em estudos, que esses sim podem e devem ser apresentados a sociedade para justificar as ações de qualquer Governo. Estudos que inclusive podem indicar que determinada área não pode ser submetida ao uso sustentável e deve ser totalmente destinada a preservação e as comunidades.

Então se a intenção é promover o desenvolvimento sustentável, protegendo as comunidades e a floresta, porquê ser contra a criação de Flonas/Flotas em favor de Resex? Será que existe outras razões que a sociedade em geral não sabe?

Sds,

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
3 de agosto de 2026

Justiça determina que gestão de pesquisa em SP não cabe à Fundação Florestal

Sentença aponta que gestão de pesquisas e áreas de experimentação científica deve ser responsabilidade de uma instituição dedicada à ciência, como o Instituto de Pesquisas Ambientais

Colunas
3 de agosto de 2026

A Amazônia não cabe na mesma linha de crédito

Na floresta, o dinheiro pode financiar mais produtividade ou mais desmatamento. Um novo estudo mostra como isso depende do território, da governança e das regras de acesso

Salada Verde
31 de julho de 2026

Justiça determina que Rio incorpore clima no processo de licenciamento ambiental

Decisão estabelece prazo de 90 dias para que prefeitura passe a exigir de empreendimentos poluidores plano de mitigação de emissões e medidas de compensação

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.