Notícias

O longo caminho de casa

Não acho que engarrafamentos são o destino das cidades grandes, nem que elas são lugares ruins para morar. Defendo que cidades são parte da solução de problemas ambientais, e não o contrário. 

Redação ((o))eco ·
5 de outubro de 2009 · 17 anos atrás

Conseguimos parar de ter filhos, mas não carros. O IBGE acabou de estimar que uma mulher brasileira está concebendo em média menos de duas crianças, uma taxa abaixo da necessária para repor a população. O aumento de expectativa de vida do brasileiro está adiando a redução da população, mas ela provavelmente vai começar a cair em 2030. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, acontece o exato oposto com os carros, que crescem em número a uma velocidade duas vezes maior que o número de pessoas.

As evidências aparecem todos os dias, como na manhã de sexta passada quando levei minha mulher para o aeroporto Galeão, na Ilha do Governador, de onde ela voaria para São Paulo. Fiquei no aeroporto até a hora da decolagem e, então, dirigi para o bairro da Gávea. Esse é um trajeto que, sem trânsito, deveria demorar cerca de 25 minutos. Mas passou de uma hora mesmo fora do horário de rush. Minha mulher chegou em São Paulo antes que eu pisasse em casa. No caminho de volta, comi muita fumaça enquanto observava a cidade e a imaginava como uma pessoa com as artérias entupidas, presa numa espécie de enfarte crônico que se repete todos os dias, com hora cada vez mais incerta.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Não acho que os engarrafamentos são o destino das cidades grandes nem que elas são lugares ruins para morar. Aliás, a maioria também não acha, já que o mundo todo se urbaniza velozmente.As vantagens de morar em uma cidade de porte médio para cima superam largamente os seus problemas. Senão, o movimento seria na direção contrária: a do campo. Por isso, é com prazer que começo a publicar no blog Ecocidades. Pretendo defender aqui que as cidades são parte da solução dos problemas ambientais, e não o contrário. Mais ainda: penso que as soluções para os grandes problemas urbanos, inclusive os ambientais, já existem e são até baratas. Nesse sentido, esse blog é um pretexto para pesquisar as novas tecnologias que não param de surgir e que tornarão nossa qualidade de vida melhor. No caso dos engarrafamentos a solução é simples: cobrar um pedágio urbano. (Eduardo Pegurier)

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Externo
18 de agosto de 2026

COP17 herda desafios de financiar combate à desertificação

Em 2024, na Arábia Saudita, a COP16 falhou na transformação dos compromissos voluntários em mecanismos práticos e financiados

Salada Verde
18 de agosto de 2026

SEEG aponta 37 caminhos para reduzir emissões de metano no Brasil

Agropecuária, resíduos, florestas e energia estão entre os setores contemplados por caderno com soluções para reduzir as emissões de metano, gás 28 vezes mais potente que o CO₂

Salada Verde
18 de agosto de 2026

ONGs se juntam por novas áreas protegidas marinhas nos mares brasileiros

Proposta de mosaico de unidades de conservação visa proteger faixa de cerca de 1.500 km de montanhas submarinas, entre Ceará e Rio Grande do Norte

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.