Durante dez dias de força-tarefa, a Operação Mata Atlântica em Pé fiscalizou mais de 1.500 alertas de desmatamento feitos por imagens de satélite em todo o bioma. Ao todo, foram autuados mais de 8,3 mil hectares de desmatamento ilegal nos 17 estados em que ocorre a Mata Atlântica. Os resultados preliminares da operação, coordenada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), foram apresentados na última sexta-feira (28/08) em coletiva de imprensa que marcou a abertura do Seminário 20 anos da Lei da Mata Atlântica, em Belo Horizonte (MG).
As ações de fiscalização, realizadas entre os dias 17 e 27 de agosto, resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 100 milhões em multas. Minas Gerais, um dos estados que ainda lidera o desmatamento no bioma nos últimos anos, foi o que teve as maiores áreas fiscalizadas.
Durante a coletiva, o promotor de Justiça Rauali Kind, do MPMG, reforçou que cada uma das autuações feitas será acompanhada pelo Ministério Público para garantir a recuperação das áreas e a responsabilização dos infratores. As áreas desmatadas ilegalmente também podem sofrer restrições relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), ao acesso ao crédito rural e a outros instrumentos previstos na legislação ambiental.
De acordo com os dados do Atlas de Desmatamento, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, a supressão florestal no bioma caiu 28% de 2024 para 2025. A queda chegou a 40% se considerada apenas as florestas maduras, que são os remanescentes mais relevantes do ponto de vista da conservação da biodiversidade.
Da cobertura original total da Mata Atlântica restam hoje cerca de 24%, sendo pouco mais da metade (12,4%) correspondente às florestas maduras.
“O monitoramento contínuo, aliado à fiscalização híbrida, presencial e remota, e a efetiva responsabilização dos infratores, tem fortalecido a proteção da Mata Atlântica e contribuído para ampliar o controle sobre o desmatamento ilegal. Esse trabalho vem sendo reconhecido como um dos fatores que tem contribuído decisivamente para a redução das taxas de desmatamento do bioma nos últimos anos”, afirma o coordenador nacional da operação pela Abrampa, Alexandre Gaio.
A operação mobilizou integrantes do Ministérios Públicos estaduais, órgãos de fiscalização ambiental e a força policial de 17 unidades da Federação, e contou com o apoio da SOS Mata Atlântica. Foram utilizados os alertas gerados pelo MapBiomas para direcionar fiscalizações remotas ou presenciais, confirmar a ocorrência das infrações ambientais e emitir os devidos autos de infração e termos de embargo. Houve ainda o emprego de drones e outras tecnologias de georreferenciamento complementares para auxiliar o trabalho das equipes.
“A Operação Mata Atlântica em Pé tem uma contribuição muito importante nesse processo ao integrar Ministério Público, órgãos ambientais e tecnologia para transformar alertas de desmatamento em fiscalização e responsabilização. É esse esforço contínuo e articulado que precisamos fortalecer para avançar rumo ao desmatamento zero no bioma”, destaca Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Vírus letal reduz em 83% população de pererecas em reserva da Mata Atlântica
Estudo apoiado pela FAPESP relata o primeiro caso de morte em massa de anfíbios causada por ranavirose na América do Sul. Patógeno também afeta répteis e peixes →
A Lei que definiu o futuro de 150 milhões de brasileiros
A Lei da Mata Atlântica, de 2006, foi fundamental para desacelerar o desmatamento no bioma, lar de mais de dois terços da população brasileira →
Novo centro no RJ vira marco para restauração da Mata Atlântica
O centro será um espaço de pesquisa, capacitação e um amplificador de boas práticas na recuperação do bioma, promovido pela Associação Mico-Leão-Dourado →
