Salada Verde

Ibase aponta desafios da urbanização de favelas do Rio diante da crise climática

Levantamento com 10 mil moradores identifica problemas de arborização, drenagem, saneamento e manutenção em 18 favelas da capital do estado

Luisa Teixeira ·
21 de agosto de 2026
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

A urbanização de favelas do Rio de Janeiro precisa incorporar medidas de adaptação às mudanças climáticas. Esta é a conclusão de uma pesquisa realizad pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), que ouviu 10.001 moradores de 18 favelas cariocas entre 2022 e 2023 e entre 2025 e 2026 e identificou problemas relacionados à arborização, drenagem, saneamento e manutenção das intervenções urbanas.

Segundo o levantamento, 80,9% dos entrevistados não perceberam melhorias ou ações de arborização associadas às intervenções realizadas nos territórios. O estudo aponta que a presença de árvores pode contribuir para a adaptação às mudanças climáticas, especialmente em áreas densamente ocupadas e expostas ao aumento das temperaturas e a eventos extremos.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A falta de manutenção também aparece entre os principais problemas identificados pelos moradores. Entre os entrevistados, 26,6% apontam o sucateamento das redes de esgoto e drenagem, enquanto 24,3% identificam problemas na manutenção da rede de abastecimento de água e 22,4% nas ruas, escadarias e rampas.

A pesquisa também mostra que 49,1% dos entrevistados identificam moradores sem acesso garantido à água. Além disso, 36,9% afirmam que o abastecimento não ocorre diariamente nas residências e 34,2% apontam que parte da população ainda não possui acesso à rede regular de abastecimento.

O estudo relaciona os problemas de infraestrutura ao aumento da vulnerabilidade das favelas diante de chuvas intensas, enchentes e alagamentos. Para o Ibase, drenagem, saneamento, contenção de encostas, arborização e manutenção devem ser considerados de forma integrada nas políticas de urbanização.

Dados do SABREN/IPP de 2022 apresentados pela pesquisa apontam que o Rio de Janeiro possui 1.072 favelas cadastradas. Desse total, 159 são consideradas urbanizadas e 114 parcialmente urbanizadas. Cerca de 68% permanecem sem urbanização estruturada.

Entre as recomendações apresentadas pelo Ibase estão a ampliação de obras de drenagem e contenção de encostas, a manutenção permanente da infraestrutura, o monitoramento de riscos, a criação de sistemas de alerta e planos de contingência e a participação dos moradores no planejamento das intervenções.

“A crise climática exige uma nova concepção de urbanização. Arborização, drenagem, contenção de encostas e proteção diante dos riscos não podem ser elementos acessórios”, afirma Rita Corrêa Brandão, diretora executiva do Ibase e coordenadora geral da pesquisa.

A pesquisa “Novos Olhares sobre as Transformações Urbanas nas Favelas” avaliou os impactos e legados de programas como Favela-Bairro/Bairrinho e Morar Carioca a partir da percepção dos moradores, complementando os dados quantitativos com rodas de conversa nos territórios.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
3 de agosto de 2020

Live debate educação ambiental nas favelas cariocas

Encontro virtual reúne representantes de projetos e iniciativas de conscientização ambiental em comunidades no Rio de Janeiro

Notícias
16 de maio de 2013

Urbanização ameaça áreas de Mata Atlântica do Rio de Janeiro

Mudanças acontecem principalmente na Zona Oeste, onde estão concentradas as principais áreas remanescentes de Mata Atlântica da cidade

Notícias
13 de novembro de 2014

Livro mostra o impacto da urbanização na biodiversidade

Lançado pela ONU esse ano, publicação sobre crescimento urbano está disponível em português para consulta. Publicação teve apoio do MMA.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.